Encomendado pelo Danish Dance Theatre, Autopsy/Eros, de Jeannette Ginslov é, segundo a mesma, “uma observação pessoal do desejo, da beleza e do amor erótico”. Com coreografia assinada pela diretora em parceria com os bailarinos da companhia, o vídeo teve sua estreia mundial em novembro de 2011, na cidade de Copenhague (Dinamarca). Confiram!
Arquivos Mensais:janeiro 2012
[textos] Artigo de Alissan Maria da Silva estabelece “Diálogos sobre presença, performance e afeto”
[imagem encontrada no blog Impostura / clique nela para ser direcionado à página]
Alissan Maria da Silva, mestranda do programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNI-RIO), compartilha com o ctrl+alt+dança o artigo intitulado “Diálogos sobre presença, performance e afeto”. Nele, a autora estabelece pontes entre experimentos realizados numa disciplina do curso com a noção de produção de presença proposta na obra de Hans Ulrich Gumbrecht. Confira!
–
DIÁLOGOS SOBRE PRESENÇA, PERFORMANCE E AFETO, por Alissan Maria da Silva
Eu escrevo com o corpo.
Poesia não é para compreender, mas para incorporar.
Entender é parede:
Procure ser uma árvore
Manoel de Barros
Este artigo tem como objetivo estabelecer relações entre os experimentos performáticos realizados na disciplina Performance e Afeto e Produção de presença de Gumbrecht. Concomitante a leituras sobre performance, fomos levados a realizar experimentos performáticos com o foco na potencialização de afetos nas relações humanas e estabelecer conexões por meio da investigação de alguns conceitos. A proposta é que realizássemos experimentos performáticos em duplas escolhidas por sorteio. A primeira experiência realizada por alunos da disciplina, que em sua maioria acabava de se conhecer; a segunda por um participante da disciplina e um artista indicado por um companheiro de turma; e a terceira por participante e uma pessoa fora do contexto profissional artístico. O registro destas experiências foi postado em um blog, criado especialmente para este fim, onde todos temos acesso às experiências uns dos outros para refletirmos, trocarmos e produzirmos nossos artigos.
Os conceitos a serem investigados – heterotopia; performatividade; TAZ; utopia; afeto; view point; radicant; produção de presença; estética relacional; autotransformação; arte contextual; situacionismo; work in progress; paisagem sonora; estética da recepção; skyart – foram sugeridos para alguns e escolhidos por outros, após uma conversa inicial sobre certezas e incertezas, desejos e projetos de pesquisa e atuação profissional.
Inspirada pela forma quase que autobiográfica com que Gumbrecht escreve seu livro, escolhi a partir da leitura de produção de presença pensar as experiências realizadas por mim mesma nessa jornada performática. Procuro outras vias para a escrita deste artigo, então, possivelmente, não estarei seguindo uma lógica de distanciamento total da experiência para refletir sobre ela. Acredito que o leitor caminhará por momentos de presença de Alissan. Contudo, produzir presença através deste texto não é exatamente o intuito (embora o desejo de atingi-la exista), já que imersos numa tradição do campo hermenêutico isso é um exercício paulatino, bem do modo hermenêutico de pensar.
É de suma importância, portanto, que o leitor deste artigo tenha em mente que de certa forma este será redutor das idéias de Gumbrecht e o ideal seria que fosse capaz de colocar uma pitada de curiosidade no leitor a ponto de levá-lo a desejar sentir o sabor do livro, para que possa confrontar, complementar ou até mesmo refutar nossos escritos. [Para continuar lendo, clique aqui]
[textos] “Valor de mercado”: parceria com o blog do artista norte-americano Rob List
[Rob List em Natura Morta / crédito da foto: Andrea Mohin / The New York Times]
Em parceria com outro blog, Mirror to the Flower, do coreógrafo e performer norte-americano Rob List, o ctrl+alt+dança passa a publicar traduções de alguns textos postados pelo artista. As traduções ficam por conta de André Bern, colaborador deste blog, que conheceu Rob em 2009, durante o programa de intercâmbio coLABoratório (promovido pelo Festival Panorama).
Para marcar o início dessa parceria, publicamos abaixo “Valor de mercado”, texto postado por Rob List em dez/2010, que certamente ainda contém elementos pulsantes e provocadores de discussões e reflexões. Confiram!
–
VALOR DE MERCADO, por Rob List
(Tradução de André Bern)
[para ler o texto original em inglês, clique aqui]
É óbvio que as artes performativas – assim como o esporte, a moda, e tudo mais – estão se tornando cada vez mais profissionais, em outras palavras, comerciais. Em toda parte, até nos ditos circuitos alternativos, um grande esforço tem sido feito com o objetivo de propagar o modelo comercial contemporâneo: desenvolver marca, plataforma e imagem, situar-se como produto em algum lugar da vasta paisagem virtual, e acima de tudo: “network” ou “trabalhar em rede”. Afinal de contas, o modelo comercial trata basicamente de uma questão de posicionamento. Onde estou em relação aos meus colegas, e o que posso fazer para ser visto ou ouvido no mercado?
“Empresários de Empreitadas Culturais são agentes de mudança cultural, visionários hábeis que geram receita a partir de uma atividade cultural. Suas soluções inovadoras resultam em empreitadas culturais economicamente sustentáveis que melhoram os meios de vida e geram valor cultural tanto para os produtores como para os consumidores de serviços e produtos culturais.”
Esta relação empresarial entre produtor e consumidor significa, inevitavelmente, que o consumidor se torna o grande árbitro do sucesso; e que, num mundo empresarial, sucesso não está necessariamente atrelado a mérito artístico. Na verdade, praticamente não está. O sucesso está mais ligado à venda agressiva, aos cálculos. Por exemplo, uma estratégia infalível para o dito artista de vanguarda continua sendo a velha ideia de provocação. Podemos ver isso hoje em dia não só nas artes, mas também no esporte, na moda e até na política. Aperte um botão e tenha uma reação; gere um incômodo e tenha uma reação ainda maior.
O que fazemos parece não ser tão importante a ponto de se encontrar um comprador para tal, ou no caso das artes performativas, encontrar um produtor e um público. Infelizmente, com a enorme explosão de artistas de todos os tipos nos últimos trinta anos, tudo se resume a um mercado de compradores em toda parte. Na Holanda, onde moro, o conceito de apoio governamental às artes mudou: de sua origem no pós-guerra enquanto patrocinador das artes independente da opinião pública, às ações mais recentes que se utilizam das artes como ferramenta política, e ultimamente, ao patrocínio exclusivo apenas às artes que se revelem as mais populares no mercado. A implicação reside no fato de que agora o patrocínio deve incentivar e premiar o comercialismo, que gera como consequência o desaparecimento da arte que não tem valor comercial. Para o artista, isso significa adaptar-se ao modelo empresarial e desenvolver uma mentalidade carreirista, ou correr o risco de se isolar e permanecer na obscuridade ao manter-se fiel à sua visão artística independente dos desejos do mercado.
Some-se a isso um quebra-cabeça maior, o do dito padrão artístico na sociedade contemporânea. O que é arte de boa ou má qualidade, e esses termos ainda importam? A relevância de um trabalho é determinada pelo público, pela mídia ou pelas forças do mercado? Como é possível superar a lamentável situação em que parecemos estar, na qual tanto o artista quanto o público estão cada vez mais conscientes da natureza possivelmente arbitrária no tocante a decisões estéticas, e do papel da mídia em perpetuar tradições, sejam mais recentes ou antigas?
Para que se faz arte? Para pagar as contas? Precisamos nos perguntar seriamente sobre nossos motivos e expectativas para, no mínimo, não acabar malsucedidos, envelhecidos e amargos. Como um artista, seja de que linguagem for, pode criar trabalhos de forma independente?
Talvez as palavras “bom” e “ruim” precisem de redefinições. A singularidade dos produtos artísticos, em suas diversas formas, já é, em si, uma qualidade especial nesta realidade empacotada em que vivemos agora. Talvez a relevância da arte seja uma questão mais pessoal do que pública. Pessoal no que se refere ao artista, ao espectador individual. E talvez não gere nenhuma receita.
Caso não gere, talvez seja importante descobrir o que há de enriquecedor em ser um artista a longo prazo, e não necessariamente mensurá-lo a partir dos padrões dos outros ou de nosso contra-cheque. Devemos pensar que temos uma prática, mais do que uma carreira. Uma prática que aprofunda o trabalho, e a pessoa que o realiza também. Isso pode não ser uma proposição economicamente viável, mas tem potencial de ser muito mais gratificante do que dinheiro. Ainda que seja difícil de encontrar, pergunte a qualquer artista “morto-de-fome” – depois de convidá-lo para jantar, é claro!
Talvez não vivamos mais os dias dos heróis originais e solitários, mas isso não significa que eles não possam servir como um exemplo a partir do qual possamos redefinir, ajustar e refletir sobre os nossos tempos.
“Repitologia” promete aquecer a programação de Novos Criadores no Centro Coreográfico (RJ)
[Victor D'Olive em Repitologia / crédito da foto: Wagner Carvalho]
Na segunda semana do projeto Novos Criadores, dentro da programação do Rio Dança, o Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro apresenta o espetáculo Repitologia, de Victor D’Olive.
Conforme as palavras do próprio criador e performer, Repitologia é resultado de um estudo para um bailarino de um passo só e foi desenvolvido com apoio do projeto coLABoratório 2010, realizado no Panorama de Dança e no Núcleo do Dirceu, em parceria com Artsadmin, Alkantara, Garajstambul e Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro, além de possuir subvenção da União Européia.
Para nós, o espetáculo é uma realização ousada, inovadora, que em meio a boas gargalhadas convida o público a reflexões importantes que estão para além do universo da dança apenas, ao qual se referem à primeira vista. Repitologia é uma bela e divertida solução cênica para os problemas que o trabalho colaborativo, as relações de poder e a crítica discriminatória poderiam deixar como efeitos para o artista e para os sujeitos em geral.
A presença cênica especial do performer Victor D’Olive é também um ótimo encontro e promete deixar boas memórias para quem gosta de pessoas, de dança, de cena e de um pensamento criativo que caminha junto com uma boa dose de alegria. Além disso, Victor D’Olive faz parte de uma geração e de uma rede de novos criadores e coreógrafos que está dando duro para colocar sua assinatura e seu trabalho na cena contemporânea carioca de dança.
É o tipo de espetáculo que dá uma rasteira no público que já vai para o teatro pensando “Ai, tá bom, já vem essa dança contemporânea de novo”. Só para lembrar, o trabalho de Victor D’Olive foi uma das inspirações para a escrita do artigo de Monica da Costa, publicado aqui neste blog sob o título de “Estéticas do Oprimido em Diásporas e Repitologia“.
Recomendamos e desejamos um bom espetáculo a todos!
–
Repitologia
Dias: 28 e 29 de janeiro
Horário: sábado às 19h e domingo às 17h
Gratuito
Senhas distribuidas 1 hora antes do início do espetáculo
Classificação livre
Rio Dança: programação do Centro Coreográfico (RJ) segue em sua segunda semana
O corpo em 3 estações: oficinas em São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG) e Canoa Quebrada (CE)
Ainda na vibração de início de ano, aproveitamos para divulgar 3 oficinas que prometem “chacoalhar o esqueleto” e recarregar as baterias para os meses que temos pela frente em 2012!
Em fevereiro, temos o Aulão, da bailarina e coreógrafa mineira Dudude Herrmann (confira a entrevista que ela deu ao ctrl+alt+dança em dez/2011), em Belo Horizonte (MG); e o workshop Body Weather, conduzido pelo performer norte-americano Sherwood Chen em São Paulo (SP). Em março, acontecerá o Canoa Dance 2012, em Canoa Quebrada (CE), evento de oficinas baseadas no método Axis Syllabus, “um estudo detalhado da biomecânica no contexto das aulas de movimento ou laboratórios”.
De acordo com o flyer do Aulão (ver abaixo), o objetivo é “revigorar o espírito e o corpo” através de elementos de base como peso, eixo, pulso, volume, fluxo, espaço e “momentum”. As aulas acontecerão no ateliê da artista, a Casa Ateliê da Dudude, sempre no primeiro sábado de cada mês, a partir do dia 11/fev. O valor do investimento é de R$80 e cada aula dura 3 horas (10h às 13h).
O workshop Body Weather consiste num treinamento cuja pesquisa foi iniciada pelo artista Min Tanaka. Estará em pauta nos encontros, que acontecerão ao longo de um final de semana (11 e 12/fev), o desafio de limites e escalas físicos e a evocação da memória sensorial através de uma reexaminação do corpo enquanto ambiente dinâmico, em transformação. Cada dia de encontro durará 7 horas (10h às 19h), sempre na Sala Crisantempo (ver abaixo). O investimento é de R$260 e há desconto para inscrições realizadas até 31/jan.
Canoa Dance engloba um pacote de oficinas em torno do Axis Syllabus, que vão desde aulas específicas sobre o método, com Ana Flecha (California), até danças populares e afro-brasileiras. No todo, o evento dura duas semanas, com aulas que possuem durações distintas, de acordo com as demandas de cada proposta. O investimento por aula varia de R$50 a R$170. O site do evento (clique na imagem abaixo) ainda fornece dicas de hospedagem (será disponibilizado um terreno para quem quiser acampar, por R$5/dia) e outras atividades fora do horário das aulas.
E aí? Qual dessas oficinas vai ser o seu “retiro de início de ano”?!
Tem outras dicas? Compartilhe conosco
Enquete aberta: “Onde está a Res publica na Dança Brasileira?”

Convocamos artistas, profissionais, estudantes e amantes da dança a participar da nossa enquete aberta: “Onde está a Res publica na Dança Brasileira?”
Começando 2012 com muito ânimo e lançando sua primeira enquete, ctrl+alt+dança pretende compartilhar e inspirar reflexões e respostas a essa questão que nos inquieta, sem as ferramentas tradicionais de uma enquete – com as opções previstas e espaços mais limitados para respostas.
Assim, através desta “enquete aberta” convidamos os interessados ao envio de materiais na forma de textos, frases, matérias, vídeo-performances, fotografias, reflexões e novas perguntas. Todos os materiais serão publicados no blog; conforme a quantidade recebida, poderemos abrir uma página especial permanente, a ser constantemente nutrida.
Desejamos que esta inquietação e os materiais enviados também possam transbordar para outros eventos, festivais, sites e, quem sabe, até abrir caminhos para outras discussões, encontros e fóruns presenciais.
Está dada a largada! Esperamos chegar a frutos interessantes com essa indagação compartilhada!
Um abraço a todos,
A equipe do ctrl+alt+dança
Dani Lima apresenta performance na Casa França-Brasil (RJ)
Nos próximos dias 26, 27 e 28/jan (qui a sáb), às 19h, a Cia. de Dança Dani Lima estreará uma performance baseada na obra “Os 7 Gatinhos”, de Nelson Rodrigues. As apresentações são gratuitas e integram o projeto InDrama, idealizado por Christiane Jatahy em comemoração ao centenário do autor.
O projeto convida diferentes coreógrafos e diretores para articular peças de Nelson Rodrigues com a exposição permanente da Casa França-Brasil (RJ). Já participaram do projeto o coreógrafo João Saldanha e o coletivo Foguetes Maravilha, com Alex Cassal e Felipe Rocha.
A performance da Cia. Dani Lima contará com os seguintes intérpretes: Carla Stank, Eleonore Guisnet, Lindon Shimizu, Rodrigo Maia, Thiago Gomes e Tony Hewerton. Alex Cassal e Raquel Karro atuam como colaboradores da montagem.
A Casa França-Brasil fica na Rua Visconde de Itaboraí, 78 – Centro.
Equipe do CTRL+ALT+DANÇA dá entrevista para programa da TV Brasil
[Aline Oliveira, André Bern, Monica da Costa e Gabriela Alcofra na Fundição Progresso (RJ)]
Depois de um convite super casual via e-mail, a equipe carioca do blog (faltou nossa querida colaboradora baiana Iara Cerqueira) foi à Fundição Progresso gravar uma entrevista para a TV Brasil. Além de uma conversa sobre como se organiza a iniciativa no blog no dia-a-dia das postagens, cada artista/pesquisador pôde falar também sobre sua trajetória e projetos pessoais.
Vocês vão poder conferir o resultado em breve no quadro “Coletivo”, do programa Estúdio Móvel!
Workshop gratuito de performance com Nathália Mello no Rio de Janeiro

[Fórum UFRJ - campus da Praia Vermelha / fonte: aspasiacamargo.com.br]
Essa semana Nathalia Melo irá propor 3 aulas gratuitas de performance no Rio de Janeiro como contrapartida ao apoio do MinC à sua apresentação “Abscene” no festival City of Women (Eslovênia).
Para participar é preciso ter interesse nos assuntos: pele, abjeção, fronteiras, sexualidade, reprodução e cópia.
A primeira aula aconteceu hoje (23/jan), mas ainda haverá outra amanhã e mais uma na quarta-feira.
Abaixo seguem os horários e locais:
SEGUNDA 23/01 – 14h às 18h – Antiga Casa dos Estudantes Universitários/Fórum UFRJ
TERÇA 24/01 – 9h às 13h – Vianinha na ECO/UFRJ
QUARTA 25/01 – 14h às 18h – Antiga Casa dos Estudantes Universitários/Fórum UFRJ









