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[textos] Até onde você foi com a dança?, por Gabriela Alcofra

[Gabriela Alcofra em Estudos para um movimento sem face / crédito da foto: Diana Sandes]

Gostaria de utilizar esse espaço para propor uma reflexão ativa e coletiva sobre o mercado de trabalho em dança. Ainda que, atualmente, a gente esteja imerso em coletividades e proposições que se dispõem a dialogar e refletir sobre esse assunto, acho que nunca é demais trazer indagações e inquietações. No entanto, elas só farão sentido se pudermos trocar nossas impressões e pensamentos, construindo novas perspectivas.

Como artista criadora, a minha primeira pergunta é: como sobreviver da criação? E a partir dela, pergunto mais: É produto? É vendável? Quanto custa? Quem compra? Se todas essas questões têm resposta, será que são exclusivas da dança ou será que compartilhamos com as outras artes contemporâneas?

Quando escolhi minha profissão, não sei se me enganei, mas acreditei que tudo isso era possível. Que era possível sobreviver da minha criação se eu me dedicasse exclusivamente a ela, e assim, se eu conquistasse seus conhecimentos e segredos. Acreditei que não era uma questão de mercado, mas sim pessoal, e com muita auto-confiança, escolhi.

Hoje revejo. O que me sustenta nesse profissão não é a criação em si, mas caminhos paralelos e circundantes: educação, terapia, reflexão. Não são áreas longínquas, muitas vezes se tornam complementares ao conhecimento essencial, mas foram minha escolha inicial? E se não foram, porque tenho que me sustentar desses caminhos e não de outros? Quais seriam os outros?

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Resolvi dizer e perguntar para outras pessoas, pesquisando possibilidades alternativas que pudessem sustentar esse sonho (?) de viver de arte. No meio desse debate, sobraram perguntas para que eu respondesse, e no silêncio e na dúvida, compartilho com vocês: Até onde você foi com a dança?

Se você investe na carreira 24 horas do seu dia – lê sobre o assunto, assiste espetáculos, faz manutenção do seu corpo, exerce sua criatividade – o que está errado? A dança bastaria apenas como hobby de final de semana? Que caminhos alternativos você conseguiria articular para que ela se tornasse sustentável?

E resvalaram exemplos de “sonhadores” que acharam seu meio do caminho: atores que dão aulas de psicodrama em empresas, bailarinos que trabalham como produtores, produtores que investem em marketing…  a meu ver, uma roda-viva de avessos. Então, pergunto a você, caro(a) leitor(a) desse blog (que muito me satisfaz nesse meio do caminho): Até aonde você foi com a dança? Foi suficiente?

Que caminhos podemos traçar? Qual é, de fato, nosso mercado de trabalho?

Bem-vinda ao mundo, eu escutei. Agora me despeço. Quero outros.

Boa noite.

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