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[textos] Gabriel Lima escreve relato sobre a primeira Reunião Setorial de Dança Afro-Brasileira no SESC Madureira (RJ)

[Flyer da primeira Reunião Setorial de Dança Afro-Brasileira do Estado do Rio de Janeiro]

Aconteceu na tarde do dia 3 de novembro de 2012 e às vésperas do Dia da Consciência Negra, no SESC Madureira, a primeira Reunião Setorial de Dança Afro-Brasileira do Estado do Rio de Janeiro. Organizada pelos professores Kátia Bezerra e Ney Andrade, a reunião, que pretende ser o primeiro evento de uma série de atividades, visou discutir a atual situação da dança afro no estado do Rio de Janeiro.

Estiveram presentes profissionais de diferentes gerações que, por meio de testemunhos e troca de experiências de diferentes realidades, traçaram um perfil do que é a dança afro nos dias e nas cidades de hoje. Questões tais como a antiga obrigatoriedade da dança afro nas escolas de formação técnica em dança, a aderência dos alunos às aulas de afro, o aumento do nível de dificuldade teórica nas provas de obtenção de registro profissional e a preservação teórica das bases que fundamentam a técnica de dona Mercedes Baptista, a criadora da dança afro-brasileira, foram colocadas em pauta.

Os participantes da reunião, dentre eles professores, pesquisadores, coreógrafos e intérpretes, pontuaram a necessidade de dar à dança afro maior visibilidade no cenário cultural do estado do Rio de Janeiro. O registro e divulgação formal da técnica de dança afro, alinhados com novas pesquisas de movimento, a realização de oficinas de atualização profissional, e a programação de aulas de afro e festivais em diferentes espaços foram propostas discutidas, que deverão ser realizadas pelos participantes da reunião ao longo do final deste ano e início de 2013 a fim de levar a dança afro para os palcos e corpos fluminenses.

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Foi levantada ainda a necessidade do apoio do SPDRJ – Sindicato dos Profissionais de Dança do Estado do Rio de Janeiro – nessa empreitada. O Sindicato será comunicado quanto à realização da reunião e convidado a participar das próximas edições do evento.

Provas de obtenção de registro profissional serão realizadas no próximo final de semana pelo SPDRJ na cidade do Rio de Janeiro e, a exemplo do ano passado, será realizada também prova para Dançarino Afro, que já não acontecia há quase uma década e que se repete agora pelo segundo ano consecutivo.

Iniciativas como a realização da Reunião Setorial e das provas para obtenção do registro profissional mostram que a dança afro vive – e vive forte! Um maior reconhecimento desta manifestação dançante autenticamente brasileira ainda é necessário, e a iniciativa que se inicia no Rio de Janeiro com a ocorrência da Reunião Setorial de Dança Afro-Brasileira legitima o engajamento da classe nesta causa do corpo e da cultura.

 

Gabriel Lima é dançarino afro profissional, sindicalizado pelo SPDRJ desde 2011. Cursa Licenciatura em Dança na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde desenvolve pesquisa sobre Metodologia de Ensino de Dança Afro-Brasileira.

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