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[textos] CTRL+ALT+DANÇA e Centro Cultural Virtual SeráQuê (MG) inauguram parceria: entrevista com Luciane Ramos (SP)

Fruto de uma parceria entre o ctrl+alt+dança e o Centro Cultural Virtual SeráQuê (CCV) (MG), realizaremos uma série de postagens compartilhadas entre os dois espaços virtuais. A cada mês, entre mai e jul/2013, publicaremos um conteúdo cedido pelo CCV (que fará o mesmo em seu site).

No mês de maio, damos inicio à parceria re-publicando uma entrevista com Luciane Ramos, que participou da Rede Terreiro Contemporâneo de Dança (2a. edição), evento realizado pela SeráQuê Cultural. O CCV, por sua vez, re-publicará a tradução de André Bern (editor de ctrl+alt+dança) para um artigo do professor Lewis R. Gordon, da Temple University (EUA).

Confiram abaixo, o material cedido pelo CCV:

[Luciane Ramos / foto: Pedro Matallo]

Luciane Ramos é bailarina, intérprete/criadora, antropóloga e pesquisadora. O ingresso no grupo de capoeira angola Guerreiros de Senzala – onde também fazia aulas de dança afro – descortinou todo um universo referente às expressões de matrizes africanas, que marcará sua vida e seu trabalho. Depois, cursa Ciências Sociais na USP, onde integra o grupo de dança Aluvaye, sediado no Núcleo de Consciência Negra da USP, começando então suas pesquisas sobre as corporeidades da diáspora negra a partir dos estudos sobre religiosidades afro-brasileiras. Interessa-se também por técnicas orientais, como o Butô, e somáticas, como o BMC (Body-Mind Centering) e a Eutonia. Integra o grupo de Estudos de Dança coordenado por Inês Bogéa e estuda princípios da técnica clássica na Escola Municipal de Bailados. Entre 2006 e 2008, integra a Cia. Abieié de Dança, quando torna-se professora de dança. Faz estudos e pesquisas nos Estados Unidos, Senegal, Burkina Faso e Guiné Conacry – terreiros férteis para suas elaborações artísticas e pedagógicas, além de referência para o doutorado em curso na UNICAMP. É co-idealizadora do Diaspóros Coletivo das Artes.

Luciane Ramos participou em agosto de 2012 da Rede Terreiro Contemporâneo de Dança – 2ª Edição – evento realizado pela SeráQuê? Cultural, quando ministrou a atividade “Corpo Atento: África do Oeste, Diáspora Negra e os Dilemas Contemporâneos na Dança”. Agora, concedeu entrevista por e-mail para o Centro Cultural Virtual, na qual fala sobre sua formação, o início da trajetória, as experiências como dançarina-intérprete-criadora, como antropóloga, como educadora, o encontro com os mestres, as pesquisas sobre corporalidades de matriz africana, os estudos nos Estados Unidos e no Senegal, seus projetos atuais, e muito mais.

É o que você confere aqui nesta entrevista exclusiva.

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1) Como se deu sua formação em dança?

Até os 18 anos de idade mais ou menos eu nutria uma relação forte com o esporte, jogando handball, vôlei, basquete e fazendo atletismo na escola. Ali já aparecia uma fisicalidade expressiva. Entretanto, havia uma preocupação grande por parte dos meus pais para que eu me dedicasse aos estudos escolares, por isso minha prioridade era outra. Fiz também algum tempo de jazz dance. Nada transformador, até que descobri um grupo de capoeira angola, Guereiros de Senzala, sob o comando do mestre Gato Preto e contra mestre Pinguim. Tínhamos todos os sábados aulas de dança afro como parte do treinamento, sendo algo valorizado como parte da formação. No grupo, também tínhamos encontros extraclasse para desenvolver outras expressões como o maculelê, samba de roda ou mesmo experiências como a que tivemos com o músico Osvaldinho da Cuíca, que propôs retomar as tradições dos cordões de carnaval, através da figura dos balizas. Havia no grupo de capoeira uma sociabilidade que me encantava. Segui na prática da capoeira, acompanhando a mudança do grupo para a Universidade de São Paulo, para onde, por coincidência ou não, eu também mudei quando aprovada no curso de Ciências Sociais. A partir daí a turma de dança ganhou independência, constituindo-se como grupo Aluvayê, sob a direção da professora e coreógrafa Kelly Anjos e sediado no Núcleo de Consciência Negra da USP, um espaço de resistência dentro de uma das universidades mais prestigiadas em termos de excelência acadêmica, e das menos porosas em termos de equidade racial. Foi no grupo que comecei o caminho de pesquisas nas corporeidades da diáspora negra, já que paralelamente eu iniciava os estudos sobre religiosidades afro-brasileiras e, àquela altura, o que se compreendia como dança afro-contemporânea estava relacionado, sobretudo, à mítica, poética e estética das danças dos orixás. Mantive-me de maneira fixa no Aluvayê, frequentando aulas e participando das apresentações do grupo e, paralelamente, procurava conhecer outros pesquisadores e professores. Fui estudante nas aulas de Cristina Matamba, Marcelo M´Dambi, Maurici Brasil, Irineu Nogueira, Solange Ferreira e, de maneira mais rara, de mestre Pitanga, referência nas trajetórias dos professores anteriormente citados, assim como na história da dança de matrizes afrodiaspóricas no Brasil.

 

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