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[textos] Do Fora do Eixo ao Eixo do Fora: Dally Schwarz muda o título de sua série de textos para CTRL+ALT+DANÇA

[Dally Schwarz / foto: divulgação]

DO FORA DO EIXO (QUE NUNCA FUI OU SEMPRE SEREI) AO EIXO DO FORA, por Dally Schwarz

O mundo das palavras às vezes nos prega peças. Como uma boa pesquisadora que sou (utilizando recurso de ironia) a respeito de minhas coisas e de todo universo que me interessa, tinha nomeado minha série de textos com o mesmo nome de um circuito de coletivos da área de cultura que atua no cenário brasileiro diga-se há uns bons 9 anos (?).

As palavras passam pela gente, e ressoam muitas vezes nos assujeitando. Bem, pois é, acontece que agora que me dei conta não só desse eco e sua cacofonia, mas da gafe relacionada ao circuito de coletivos. Pois ainda mais em épocas de intensas e incessantes manifestações (utilizando recurso ideológico), é importante de qualquer forma se posicionar.

Estar fora do eixo na contemporaneidade, principalmente com a entrada dos estudos culturais e as preocupações com as relações global-local, para além da geografia é postura política. É o eixo nosso, do nosso corpo, que localiza e valoriza cabeça-peito-pélvis (racional–emotivo–pulsional). Mas por que respeitar essa verticalidade? Por que não viver atravessados por outras geografias, relações de forças e mesmo relações corporais? É isso. E por isso, fora de um eixo. O eixo do corpo. O eixo do corpo é uma força que perfura do topo da cabeça cortando todo seu centro até sair pelo períneo, lá em baixo, podendo provocar rotações. Nesse sentido, sempre estive fora desse eixo, caindo, tropeçando, deitando no chão. Mas no sentido da palavra roubada sem querer (do nome do coletivo), nunca fui! Nunca fui parte, nem compartilho das mesmas ideias políticas e bandeiras desse circuito específico. Nem mesmo convivi com. Porém, devido à gafe, tenho que me posicionar. E por isso, para evitar confusões no percurso da história (utilizando recurso político-crítico), me coloquei na frente do espelho, e reescrevi o nome: Eixo do Fora.

Leia mais:  [textos] eixo do fora#3: "Líquida Ação: rio que corre pelas beiras", por Dally Schwarz

Uma boa forma de tentar nos reencontrar é no espelho (utilizando recurso narcísico). Uma tentativa de eixo que pode nos ajudar depois a se perder de novo.

 

fo.ra

  1. exteriormente
  2. em terra estranha
  3. outro lugar que não na casa em que se habita
  • Ontem saímos para jantar fora.
  1. afastado de
  • Mantenha fora do alcance de crianças e animais.
  1. no estrangeiro, em outro país
  • Não concordo com a ideia de que se vive melhor lá fora do que aqui.

[fonte de pesquisa: wikicionário]

 

O Eixo do Fora é quase que um lugar que não existe. Ou o Centro de uma terra estranha. E o mais legal é que talvez repensando agora, sou um tanto eixo do fora. E uma das coisas que me lembro quando penso nessa inversão de pensamento é que nasci em Niterói, cidade próxima ao Rio de Janeiro. Quando me perguntam “Você é carioca?”, eu sempre digo: “Não, sou niteroiense”. E me sinto meio que Rio de Janeiro, meio que Niterói. Nesse caso, para mim, faz muito sentido o Eixo do Fora. Um jogo de palavras interessantes.

 

Dally Schwarz é formada em Estudos de Mídia na UFF. Mestranda em Linguagens Visuais na Escola de Belas Artes da UFRJ, interessa-se pelas imagens do corpo, pela performance e questões feministas e de gênero nas artes. Dança e se pendura para entender melhor seu corpo e os corpos.

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