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[textos] [vídeos] "Corpo. Água. Corpo D’Água: um sorriso para Monica da Costa", por Leandro Cristóvão

CORPO. ÁGUA. CORPO D’ÁGUA: UM SORRISO PARA MONICA DA COSTA, por Leandro Cristóvão

Tomo a palavra nesse texto como admirador. Admiro o corpo. Admiro a água. Admiro o Corpo D’Água. Trato aqui de um corpo d’água que admiro.

Corpo

Quantos sentidos estão disponíveis no corpo? Não digo apenas do corpo posto em cena. Digo desse corpo. Do corpo que me abraça. Do corpo que me fala. Do corpo que me sorri. Do corpo que me convida a (re)ver. Do corpo que é fazendo. Do corpo que é negro fazendo-se negro. Essas são proposições que o corpo me faz. Aceito as proposições. E vou adiante com elas. Esse é um corpo propositor. Propositor de sentidos primeiros. Propõe-me então a pensar na mulher. E penso na mulher. Penso no que há de mulher no corpo: leveza, delicadeza, força e gana. Sentidos clichês. Sim, clichês. E isso não é um problema. Continuo com as proposições: penso na negra. Mas não tem a pele preta! Mas não tem o cabelo crespo! Mas não… Mas sim! Mas tem a pele preta! Mas tem o cabelo crespo! Mas é negra! Ela me diz isso. E eu vejo isso. Se ela me diz, se ela faz, eu vejo. Dizia alguém: penso, logo existo. E dizia outro alguém: faço, logo existo. Ela fez. Ela existe: mulher e negra. Esse é esse corpo.

Água

Ah, a água! Que linda! Que divina! Que vida! Ela mostrou-se ali. Ela estava por ali. Ora Yeyê Ô! Que lugar é esse que ela ocupa? A linha, a curva, a ponta, o lado. Ela estava lá, em todo lugar. Os movimentos me faziam mergulhar. Os saltos me faziam molhar. Os sorrisos me faziam agradecer. Tão lindo de ver, de sentir, de chorar. Um brilho dourado no ar. E ele me fez também ver, também sentir. E eu também sorri. Ah, a água! Tanta que até me esbaldo nela. Mergulho, aproveito a sensação, agradeço sua presença. Ora Yeyê Ô!

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Corpo D’Água

E o lugar da arte? Deixe que eu sinta! Deixe que eu goste! Era lindo! Era dela! Era ela! E isso é tão lindo de ver. Num lugar do meio, que não era nem o de ontem, nem o de amanhã. Era o de hoje, que tinha o ontem e o amanhã. Chamemos de afro e de contemporâneo. Chamemos de Monica da Costa. Arte. Vida. Ela mesma.

E assim foi que um corpo de água veio até mim.

Leandro Cristóvão é professor da área de Letras. É mestre em Letras Neolatinas pela UFRJ e doutorando em Estudos da Linguagem pela PUC-Rio. Atualmente coordena o curso de especialização em Educação e Contemporaneidade do CEFET-RJ (Unidade Nova Friburgo), a partir do qual tem estabelecido conexões com artistas emergentes da cena carioca de dança contemporânea e performance.

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