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"La Lucha" + "Cicatriz": artistas apresentam resultados de investigações criativas em Curitiba (PR) e no Rio de Janeiro

[La Lucha ganha sessões numa escola de pole dance em Curitiba (PR) / foto: Tamíris Spinelli]

Luta livre, transformismo e cosplay são os pilares da pesquisa criativa que deu origem ao espetáculo La Lucha (ver foto acima), contemplado com o Prêmio FUNARTE Klauss Vianna de Dança 2013. Com estreia amanhã (11/dez, às 21h) em Curitiba (PR), o trabalho é fruto da colaboração entre as/os artistas brasileir@s Leonarda Glück, Gabriel Machado, Gustavo Bitencourt e a uruguaia Lucía Naser.

A partir de um documentário sobre o grupo Los Exóticos – trupe mexicana de luta livre que usa a caracterização drag em suas apresentações – Leonarda, Gabriel, Gustavo e Lucía identificaram um desejo comum: criar um trabalho de dança contemporânea num formato que mesclasse espetáculo e competição esportiva, durante o qual o público pudesse se envolver, torcer, rir, gritar, sair e entrar, falar, beber, conversar. Em La Lucha, as/os artistas buscam – através de recursos de humor, luta e melodrama – construir um vocabulário que possa dialogar com as pessoas mais diversas. “A gente quer algo engraçado, dramático, violento, que possa envolver as pessoas, e que a gente também possa se surpreender fazendo”, explica Gustavo.

Em suas pesquisas individuais, cada um@ d@s artistas de La Lucha possui interesse na caracterização como forma de estabelecer relações entre cotidiano e ficção: Gabriel está constantemente envolvido com a cultura dos animes e do cosplay; Lucía tem trabalhado recentemente em criações ligadas aos quadrinhos e à luta livre; Leonarda abordou o crossdressing e a cultura sadomasoquista como temas de pesquisa em suas últimas performances; e Gustavo, além de pesquisador da cultura drag/transformista, atua como drag queen na noite curitibana. De acordo com Leonarda, La Lucha “fala um pouco de várias lutas que a gente vivencia na prática”:

Desde esses embates que existem no nosso pequeno grupo, que nunca tinha trabalhado junto, até questões mais amplas, que afetam todo mundo, como identidade, gênero, disputas territoriais, políticas, éticas, estéticas.

As primeiras apresentações de La Lucha aconteceram em Montevidéu (Uruguai), num clube noturno; em Curitiba, as sessões (que se estendem até domingo (14/dez)) ocuparão uma escola de pole dance, o Studio Grazzy Brugner. “Isso pareceu essencial para mudar o tipo de formalidade que existe num teatro ou outro espaço comum de apresentação de dança ou teatro”, explicam as/os artistas.

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Os ingressos para La Lucha custam R$5. O Studio Grazzy Brugner fica na Rua 13 de Maio, 234 – Centro – Curitiba (PR).

[A atriz Jéssica Barbosa apresenta o solo Cicatriz e lança site do projeto no Rio de Janeiro / fonte: https://www.facebook.com/events/618182524971292]

No solo Cicatriz, a atriz Jéssica Barbosa mistura estereótipos da alegria publicitária com sua própria história de vida, compondo uma tragicomédia. A empreitada criativa, que inclui o lançamento de um site, ganha apresentação de estreia amanhã (11/dez, às 20h30), na Casa da Glória (RJ).

Jéssica nasceu no sertão da Bahia e mergulhou em suas memórias para compor o trabalho. Uma cicatriz de nascimento tornou-se ponto de partida para a criação do solo, que é entrecortado por sequências de dança. Conforme explica a atriz:

A marca já foi responsável por identificar status e também marginalidade. Quando pensamos nos marinheiros, nas prostitutas, nos presidiários, nos moradores de rua, como não pensar nas cicatrizes que esses corpos carregam e que os identificam? Elas compõem nossas memórias, imprimem no corpo nossa história e possuem um potencial enorme como ferramenta para a criação artística.

Além da interpretação, Jéssica assina a direção, o figurino e a concepção do texto. O solo conta com a supervisão de Ana Vitória Freire e a preparação vocal de Gabriela Gelluda.

Cicatriz possui ingressos a R$15. A Casa da Glória fica na Ladeira da Glória, 98 – Glória – Rio de Janeiro (RJ).

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