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Exposições na Bahia e em Pernambuco propõem mergulho em memórias e culturas

[O Anjo Azul (1983) / foto: Bosco Acetti]

A partir de amanhã (8/mai, às 19h), o Acervo RecorDança / Associação Reviva realiza a abertura da exposição “Presente Passado Movimento no Recife: a dança de 80 pelo olhar do RecorDança” em Pernambuco. Fotografias, cartazes, matérias de jornais, réplicas de figurinos e de objetos cênicos compõem a exposição (instalada na escola de dança Aria Social, com entrada franca, até 5/jun), que pretende contar a história da dança do Recife da década de 1980.

“Presente Passado Movimento” evidencia uma época marcante para a dança no Recife, em que havia uma efervescência na produção de espetáculos e o surgimento de movimentos políticos relacionados à dança na cidade. Conforme explica Liana Gesteira, uma das coordenadoras do Acervo RecorDança:

Na época, o país passava por um período de abertura política, após 15 anos de ditadura, e a arte da dança no Recife se encontrava em um contexto de intensa formação de artistas, por um lado, mas de desvalorização e marginalização da sua atuação profissional. Foi preciso criar formas alternativas de se organizar para produzir artisticamente.

O RecorDança é um acervo que reúne fotos, vídeos e informações sobre artistas, grupos e espetáculos de dança produzidos em Pernambuco desde 1970 até os dias de hoje. O acervo foi inaugurado em 2003, e é um dos pioneiros no Brasil na área de dança. A exposição “Presente Passado Movimento” também apresenta materiais pertencentes a órgãos como a Associação de Dança do Recife, o Conselho Pernambucano de Dança e o espaço cultural Corpo, Som, Espaço.

Imagens produzidas por 3 fotógrafos bastante ativos na década de 1980 – Bosco Acetti, Marcos Araújo e Breno Laprovitera – são destaques da exposição. Consistem em registros históricos de espetáculos como Nossa Senhora dos Afogados (1985), O Anjo Azul (1983) (ver foto acima) e Piazzolada (1983). O texto de divulgação de “Presente Passado Movimento” ainda aponta que através de tais materialidades “o visitante poderá conhecer a atuação de diretores e dançarinos daquela época, tais como Mônica Japiassu, Bernot Sanches, Zdenek Hampl, Fred Salim, Luiz Roberto e Cecília Brannand”.

A exposição, que conta com recursos do FUNCULTURA (Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura), receberá o público às segundas e quartas-feiras (14h às 17h), e às terças e quintas (10h às 13h). A escola de dança Aria Social fica na Avenida Ayrton Senna da Silva, 748 – Piedade – Jaboatão dos Guararapes (PE).

Em Salvador (BA), amanhã (8/mai) também é dia de abertura de exposição: o Museu Casa do Benin recebe “Pertencente, Appartenant, Ohun Ini” (ver flyer acima), que integra fotografia e audiovisual a partir de temas como ocupação urbana e identidade cultural agudá entre Benin e Brasil. A exposição – concebida colaborativamente por Mourchid Moubaracq (Benin), Renato Santos e Monica da Costa (Brasil) – permanece na Casa do Benin até 8/jul.

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“Pertencente” retrata as tradições agudás identificadas em sua arquitetura, cultura e festejos. Agudás são descendentes de negr@s escravizad@s brasileir@s (ou de mercador@s de escrav@s de Salvador) que emigraram para a costa ocidental da África a partir do século XIX – a maioria se fixou na cidade de Ouidah, no então Reino de Daomé (atual República do Benin). A palavra “agudá” se refere ao Forte de São João da Ajuda, localizado no Benin.

Às 19h, a abertura da exposição contará com uma intervenção de dança, que se inspira no sentimento de pertencimento de cada uma das 3 intérpretes-criadoras – Carolina Bastos, Lucimar Cerqueira e Monica da Costa: danças afro-brasileiras em comum entre Brasil e Benin, entrelaçadas a memórias e passagens de “Casa da Água”, livro de Antonio Olinto. Conforme Monica da Costa, que assina a coreografia da intervenção, nos explicou por telefone:

A pesquisa coreográfica da intervenção envolveu alguns vocabulários comuns entre Brasil e Benin como o ijexá, o samba, que foi levado como tradição agudá dentro do carnaval, os movimentos de dança da burrinha. Na intervenção, esse pertencimento ao qual a exposição faz referência está relacionado às tradições negras, ao candomblé, ao corpo negro, à identidade negra. A gente também trabalhou com livros sobre famílias agudás, livros de exposições sobre Benin e Brasil que aconteceram no Museu Afro de São Paulo, e muito com a “Casa da Água”, do Antonio Olinto, ainda como inspiração, não como texto falado. É um romance, mas é inspirado em histórias reais de muitas famílias agudás. A intervenção está muito linda, e ainda conta com Ricardo Costa, um músico fantástico, que trabalha com dança há 20 anos. Um achado! A gente conseguiu travar um diálogo rico, muito rapidamente.

[Em 5/jul/2014, publicamos uma conversa entre André Bern (editor de ctrl+alt+dança) e Monica da Costa sobre sua pesquisa de doutorado na UNIRIO. A conversa compôs o episódio #21 dos nossos Podcasts ctrl+alt+dança.]

“Pertencente” fica aberta ao público de terça a sexta-feira (10h às 18h), aos sábados (13h às 17h) e domingos (9h às 13h). O Museu Casa do Benin fica na Rua Padre Agostinho Gomes, 17 – Pelourinho – Salvador (BA). 

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