Início » Notícias » "sessões_Mais um pornô": Jaqueline Vasconcellos apresenta 2 novas ações do projeto performático no Palacete Carmelita (SP)

"sessões_Mais um pornô": Jaqueline Vasconcellos apresenta 2 novas ações do projeto performático no Palacete Carmelita (SP)

“sessões_Mais um pornô”, projeto de Jaqueline Vasconcellos / foto: Nilmar Lage

Desdobramentos de um projeto artístico desenvolvido por Jaqueline Vasconcellos [1] há dez anos em torno de questões sobre a violência contra a mulher, duas novas ações performáticas da série sessões_Mais um pornô integrarão a Segunda da Performance, no Palacete Carmelita (SP) [2]. O projeto, que já realizou apresentações no Brasil (Minas Gerais e Santa Catarina) e na Argentina, ocupará os diversos espaços do Palacete nesta segunda-feira (10/ago, a partir de 19h30), com instalações e as duas novas ações intituladas Mais um Pornô: para ambientes intimistas Cuerpo de mujer, peligro de muerte.

Como explica a artista, “Com o tempo, quis muito [trabalhar] o clichê, quis muito banalizar o tema, justo para radicalizar a banalização que sinto que socialmente ele tem”:

Penso em Mais um pornô como um espelho que reflete a nossa própria falta de implicação com os atos violentos diários incorridos contra a mulher na sociedade brasileira, que culturalmente é uma sociedade do estupro.

Na ação Mais um Pornô: para ambientes intimistas, Jaqueline reproduz a situação de sushi erótico – deitada numa mesa com o corpo nu coberto do popular prato da culinária japonesa. A artista estabelece um jogo com o público na Sala Nobre do Palacete Carmelita (ao longo de 60 minutos, durante os quais a entrada e saída de participantes é livre) determinando os momentos em que este poderá tocar seu corpo, através de placas que se alteram entre as indicações TOQUE e NÃO TOQUE (ver foto acima). A ação ainda conta com uma instalação sonora composta de depoimentos de mulheres que sofreram agressões – devidamente recolhidos por Jaqueline numa convocatória realizada em redes sociais.

Por sua vez, Cuerpo de mujer, peligro de muerte cita um ditado consolidado no México, país no qual se localiza a cidade com a maior taxa de feminicídio do mundo, Ciudad Juarez. A ação consiste de um procedimento performático (a ser realizado na Sala Pista do Palacete) que utiliza partituras de ação para compor em meio a um contexto de instalação sonora, endereçando junto ao público questões sobre corpo, sexualidade, gênero, identidade sexual e tabu. Como base de Cuerpo de mujer, peligro de muerte, Jaqueline utiliza histórias de mulheres mortas pela violência e/ou vítimas de violência sexual (com duração de 30 minutos, durante os quais a entrada e saída do público é livre).

Leia mais:  Inscrições abertas em São Paulo: Fomento à Dança + VERBO 2015

A Segunda da Performance – artistas indisciplinares é um programa idealizado pela Casa de Zuleika [3] e realizado em parceria com o Palacete Carmelita. A programação, que ocupará o Palacete uma vez por mês (sempre às segundas-feiras) até o fim do ano, busca garantir e promover uma constante exibição de trabalhos de performance na cidade de São Paulo (acesse aqui a convocatória pública para seleção de trabalhos).

Quem ficou curios@ em conferir as ações de Jaqueline Vasconcellos no contexto da Segunda da Performance deve adquirir seu ingresso a R$20 no próprio Palacete Carmelita ou através de compra online. Além disso, tod@s devem contribuir com um 1kg de alimento perecível.

O Palacete Carmelita fica na Rua Dom Francisco de Souza, 165 – Centro – São Paulo (SP).

 

[1] Jaqueline Vasconcellos: graduada em Interpretação Teatral (UFBA), com especialização em Estudos Contemporâneos em Dança e mestrado em Dança, ambos pelo Programa de Pós-Graduação em Dança da mesma instituição. Atualmente, cursa doutorado em Meios e Processos do Audiovisual na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

[2] Palacete Carmelita: criado por Rebecca Carratu e Ila Girotto, o Palacete fica perto da Estação da Luz e das famosas ruas de comércio popular 25 de Março e Santa Efigênia, no centro de São Paulo. O espaço foi inaugurado em outubro de 2014 e desenvolve ações especiais para quem aprecia arte.

[3] Casa de Zuleika: projeto idealizado por Estela Lapponi, através do qual a artista paulistana visa transformar sua própria casa em espaço contemporâneo de arte. Segundo Estela, o projeto “nasce dos desejos de emancipação artística, de criar no mercado das artes contemporâneas diferentes possibilidades de encontro com o público”. Enquanto a reforma de seu espaço não acontece, a artista atua em parceria com o Palacete Carmelita.

 

Comentários