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JF em Dança: Raíssa Ralola compartilha impressões sobre o 2º dia do festival

Programa Gente em 1º Lugar no JF em Dança (MG) / foto: Louise Ralola

Lembrando dos tempos de adolescência quando participava das noites de pequenas coreografias em festivais de dança amadora, assisti à Mostra de Coreografias no JF em Dança (Prefeitura de Juiz de Fora (MG) / FUNALFA). Durante 2 horas, um pot-pourri imenso de diferentes danças, estéticas e modos de trabalho com a arte do movimento.

Das danças étnicas às danças de salão, das urbanas ao neoclássico, à dança contemporânea. Gostei de ver os que vivem a dança nos pequenos grupos, nas escolas, nos projetos e nas academias da cidade, de maneira amadora. Alguns destes realmente parecem valorar o sentido primeiro da palavra: “o fazer algo com amor”, daí amador. Vi muitos olhos brilhantes e muito vigor na pele de vários que povoaram o palco do Teatro Pró-Música no dia 1º de outubro.

As danças urbanas abriram a noite e seus diferentes grupos estiveram em plena forma quanto à presença cênica e à incorporação da dança. Quanta gente junta num palco não tão grande! Quanta convivência em cena!

A noite seguiu com as danças de salão, a sensualidade do zouk, a dança do ventre e a alegria feminina. O neoclássico trouxe a leveza e a juventude de suas performers, a dança contemporânea nos levou com poesia à melancolia da escritora Virginia Woolf e a Londres do século XIX. Foi uma noite de alegria, emoção juvenil e de formação de público, sobretudo.

foto: Louise Ralola
Público na frente do Diversão & Arte Espaço Cultural  / foto: Louise Ralola

Dali, segui para o Espaço Diversão & Arte, onde a Cia. Inércia Zero já atuava na parte externa da casa. Foram conduzindo o público de maneira muito clara e natural por todo o espaço. Caminhamos do saguão para o galpão cênico, nos posicionamos, e então nosso olhar foi suspenso por uma cena externa, ocorrida no telhado e observada por entre as janelas: a companhia construiu tudo de modo site-specific, aproveitando os contornos que a casa podia dar ao trabalho.

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foto: Louise Ralola
Sylvia Renhe (centro) em bate-papo com o público / foto: Louise Ralola

Inaugurou-se um trio de movimento: Fernanda Oliveira, Sylvia Renhe e Ricardo Visciano. Falaram do número “7”, combinação entre dois mundos: tríade divina e quaternário matérico. Uma nova combinação a três, após anos de parceria entre Sylvia e Ricardo. Senti outro ritmo, outra reverberação, e gostei de ver os três juntos, propondo um trabalho distinto. Conduziram um espaço sóbrio e cerimonioso ciceroneado por Sylvia. Moviam-se e buscavam algo. Três espaços pessoais bem configurados, personalidades presentes numa procura sim, coletiva, mas muito pessoal. Falaram em alquimia, transmutação, usaram a simbologia do fogo, da luz que ofusca e é capaz de cegar.

O que, de fato, buscavam? Era do campo artístico? Humano? É preciso se perguntar.

Talvez o que realmente vale a pena neste momento é refletir sobre a cena, de que modo vivê-la. Afinal, ela já está configurada – estejam certos disto.

 

[*] todas as imagens desta postagem foram clicadas por Louise Ralola.

 

Comentários

2 comments

  1. sylvia renhe says:

    Obrigada Raíssa pelo seu relato, esse olhar cuidadoso , sensível e atento!! Muito bom ter você por perto observando e irradiando este olhar!! Bjs Sylvia

    • Raíssa Ralola
      Raissa Ralola says:

      Oi Sylvia, obrigada pelo carinho….
      Para mim é um prazer estar por perto…
      Sigamos juntas…
      Beijos grandes

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