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André Bern comenta estreia de “Non Stop”

Non Stop

Ontem (15/out), na plateia do Teatro Angel Vianna – Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro – me percebi fazendo um movimento nostálgico enquanto a trilha sonora de Non Stop, nova criação da Companhia Híbrida, estabelecia o clima da noite. Pensava, naqueles instantes antes d@s bailarin@s entrarem em cena, numa outra apresentação da companhia, alguns anos atrás, ali no mesmo palco. É fato: o coreógrafo Renato Cruz e sua equipe vêm desenvolvendo uma trajetória de bastante sucesso e visibilidade, calcados em trabalho árduo e comunicação afinada com suas plateias.

Non Stop: continuum e novos desafios

O círculo enquanto arquétipo de continuidade inspira a nova empreitada criativa da companhia, conforme compartilha o texto de divulgação. Non Stop não chega a ser vertiginoso, como talvez se infira pelo título – ainda que o último terço do trabalho se esforce nessa direção. Há uma busca de manutenção da conexão entre as diferentes partes que compõem o espetáculo, principalmente se entendemos os momentos de pausa como reverberações desse mesmo continuum no qual a companhia investe.

Frequentemente afeita a se impor desafios – ora temáticos, ora formais – a cada criação, em Non Stop a companhia se afasta de referências mais óbvias quando a pauta é o diálogo entre dança contemporânea e danças urbanas. Atender às demandas de suas plateias jovens – conquistadas ao longo de 8 anos de trabalhos que refletem culturas e danças periféricas de maneira imediata – fica em segundo plano.

Mantida sua autenticidade, a companhia opta por testar a parceria dessa mesma plateia apresentando uma composição mais ousada, despida de textos e vídeos, levando-se em consideração seu próprio repertório de criações. Os elementos de break e waacking estão visivelmente presentes e assumidos, atraentemente deslocados e revistos: b-boys repetem movimentos do vocabulário urbano de maneira convulsiva, como que acionados ao vivo por um software de edição de vídeos. A iluminação de Renato Machado é decisiva nos interessantes efeitos de claro-escuro que compõem toda a primeira seção do espetáculo, revelando/escondendo partes dos corpos d@s bailarin@s e sugerindo narrativas surreais e lúdicas. Non Stop não é um trabalho de introdução ao universo criativo da Companhia Híbrida.

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Ainda assim, Renato Cruz está atento às casas cheias que a companhia está acostumada a arregimentar. Non Stop desafia seu público através de sombras e indefinições, mas não deixa de contemplá-lo com deliciosos contatos em duplas e trios, além dos aguardados momentos de virtuosidade técnica – devidamente acompanhados, entre ruídos e distorções sonoras, de “… And The World Laughs With You”, colaboração do produtor estadunidense de música eletrônica Flying Lotus com o vocalista Thom Yorke (da banda inglesa Radiohead), presente no celebrado álbum de 2010, Cosmogramma.

 

Quem ainda não conferiu Non Stop tem mais uma oportunidade hoje à noite (às 20h), no Teatro Angel Vianna, com classificação indicativa livre e ingressos a R$10 (inteira) e R$5 (meia-entrada). O Teatro Angel Vianna (Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro) fica na Rua José Higino, 115 – Tijuca (metrô Uruguai) – Rio de Janeiro (RJ).

 

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