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Negritudes: Bárbara Freitas + Feira Crespa

ethos Bárbara Freitas negritudes
Bárbara Freitas apresenta o solo “Ethos” em São Bernardo do Campo (SP) / foto: Francisco Reyes

Ethos é o primeiro espetáculo solo da bailarina Bárbara Freitas (ver foto acima), que conta sua trajetória na dança e contém elementos tanto da cultura popular brasileira quanto da dança contemporânea africana. A artista apresenta seu solo em 4 sessões na cidade de São Bernardo do Campo (SP) a partir de hoje (6/nov).

Após passar um tempo em residência artística no Senegal, na École des Sables (Escola de Areia), com a coreógrafa Germaine Acogny, Bárbara reuniu um vasto material de seu percurso na dança, que mescla maracatu, cavalo marinho e o carnaval pernambucano com as técnicas de danças tradicionais africanas. Na residência, a bailarina conviveu com outr@s 40 artistas provenientes de diversos países: França, Espanha, Guadalupe, Cuba, Benin, Costa do Marfim e Filipinas.

A viagem foi uma oportunidade para reafirmar o engajamento e a resistência da dança negra, segundo Bárbara: de “viver a dança em diferentes contextos e reconectar as fontes de inspiração com sua cultura”.

Ethos – cujo título refere-se à palavra grega usada para descrever conjuntos de hábitos ou crenças pertencentes a uma comunidade – passeia por personagens e mitos, tais como o caboclo de lança, e apresenta uma partitura coreográfica aberta a improvisos e a novas instalações cênicas que fogem do tradicional palco italiano. Ao lado de Bárbara, Olivier Kaminski assina a pesquisa musical, que revela sons da cidade em seu fluxo de pessoas. Por sua vez, Beto de Faria, na iluminação, busca as potências de cada espaço – seja ele virtuoso ou inóspito. Marcus Braga colaborou com o trânsito de informações.

As apresentações de Ethos acontecerão nos próximos dias em 2 espaços de São Bernardo do Campo, sempre com classificação indicativa livre e entrada franca:

  • 6 e 8/nov (sex e dom), às 20h, no Teatro Elis Regina [Avenida João Firmino, 900 – Assunção]
  • 10 e 11/nov (ter e qua), às 12h, na Praça Giovanni Breda – Assunção
Afrofunk Rio negritudes
Afrofunk Rio participará da 4a. edição da Feira Crespa (RJ) / foto: divulgação

No Rio de Janeiro, a 4a. edição da Feira Crespa destaca a produção de mulheres negras e suas ações coletivas. Idealizada e realizada por jovens morador@s do bairro da Pavuna, a Feira acontecerá na Arena Carioca Jovelina Pérola Negra neste sábado (7/nov), com uma programação que se estenderá de 15h às 22h.

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O escopo de atividades, todas gratuitas e programadas em parceria com o Rap na Reta, é variado e inclui desde mutirão de grafite, debates e batalhas de rimas, até oficinas, desfiles, apresentações de música e dança, exposição fotográfica e intervenção urbana. Além da programação cultural, expositor@s comercializarão produtos direcionados à beleza negra.

Entre as/os artistas convidad@s, destacamos a presença da companhia de dança Afrofunk Rio (ver foto acima), tema de nossa postagem de 24/abr. Na entrevista concedida à nossa colaboradora Dally Schwarz, a atriz-dançarina Taisa Machado contou sobre sua trajetória, a criação da Afrofunk Rio e suas oficinas-espetáculo-baile:

Nós somos um coletivo de mulheres! A maioria mulheres negras! Estamos na luta e a ideia de fazer a oficina surgiu da necessidade de falar dessa contribuição do corpo da mulher negra pra dança brasileira. Nossa dança sempre foi muito marginalizada pela elite branca dominante. A preta-passista-show é o cartão postal do país, mas ela não é tratada como uma profissional da dança, como uma pessoa que tem uma habilidade corporal. É tratada como um objeto de desejo, como se ela não precisasse treinar e nem se preocupasse com o trabalho dela como artista. 

A Feira Crespa é fruto da Agência de Redes para a Juventude, criada e idealizada por Marcus Vinicius Faustini em 2011. O programa proporciona  conexões e ferramentas a jovens de periferia, para que possam atuar como agentes transformador@s de seus territórios.

A Arena Carioca Jovelina Pérola Negra fica na Praça Ênio, s/nº – Pavuna (metrô Pavuna) – Rio de Janeiro (RJ). Fica a dica: a Arena possui acesso para deficientes físicos e estacionamento gratuito.

 

[*] Esta postagem contou com a colaboração de André Bern.

 

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