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Danças para conferir antes do Natal

corpos nomades antes do natal
Cia. Corpos Nômades em “O Especulador de Olhos Invisíveis de Carne” / foto: Inês Correa

Com estreia anteontem (4/dez) em sua sede na Rua Augusta (Espaço Cênico O Lugar), O Especulador de Olhos Invisíveis de Carne (ver foto acima), da paulistana Cia. Corpos Nômades, segue em temporada até o dia 20. Dirigida pelo bailarino-coreógrafo João Andreazzi, a montagem resgata a noção de “corpo nômade”, dando sequência a uma pesquisa iniciada há 16 anos, em cujo foco estavam a extinta Favela do Gato (atual conjunto habitacional do Parque do Gato) e a cultura guarani (Aldeias Krukutu e Jaraguá).

Conforme explica João:

Para este espetáculo resgatamos o conceito de “nômade”, de errância do corpo, para encontrar um caminho que nos permeia neste sistema em que vivemos uma compreensão do período de existência desses corpos e as transformações que ali ocorreram.

No processo criativo de O Especulador de Olhos Invisíveis de Carne, textos de Samuel Beckett, além de provocações dos filósofos franceses Gilles Deleuze e Félix Guattari sobre capitalismo e esquizofrenia motivam a construção “coreodramatúrgica” e conduzem a escolha de elementos cênicos. O espetáculo nasceu de experiências proporcionadas a partir da oficina Lab Criação Corpo Um Lug@r Nômade, desenvolvida ao longo dos meses de julho a setembro deste ano – visando à criação de um procedimento de conexão entre a formação e a criação no qual “o corpo do performer pode buscar diferentes lugares e estados para daí então encontrar outros corpos”.

Com sessões às sextas e sábados (21h), e domingos (20h) – ingressos a R$10 (inteira) e R$5 (meia-entrada) – O Especulador de Olhos Invisíveis de Carne possui duração de 50 minutos, com a participação d@s performers Dresler Aguilera, Gervasio Braz e Letícia Mantovani, além do próprio João Andreazzi.

O Espaço Cênico O Lugar fica na Rua Augusta, 325 – Consolação – São Paulo (SP).

cia etc antes do natal
Cia. Etc. em “Os Superficiais” / foto: Rafael de Almeida

No Recife (PE), a Cia. Etc. comemora 15 anos de atividades e segue em temporada de estreia de Os Superficiais (ver foto acima), fruto de uma investigação dos tipos de relações estabelecidas com o mundo pós-moderno – marcado pela velocidade e superficialidade nas interações sociais. Hoje (6/dez, às 16h), o grupo faz uma apresentação do trabalho no EcoNúcleo (Rua do Futuro, 959 – Graças), com colaboração espontânea do público.

A partir da direção de Marcelo Sena, em processo colaborativo com as/os artistas Elis Costa, José W. Júnior e Renata Vieira, Os Superficiais inspira-se nas redes sociais virtuais para propor uma obra-jogo-brincadeira que aposta na “tão recorrente exposição pessoal, na cópia compartilhada como original, na velocidade e volume da informação, na superficialidade do conteúdo e na dificuldade de manter um só foco de atenção”. Conforme aponta o texto de divulgacão do trabalho:

A lógica de um tempo linear tem encontrado cada vez menos espaço nas experiências pessoais, influenciando, inclusive, nossa maneira de construir e salvaguardar nossa memória. Os Superficiais aproveita isso pra misturar, interromper, passar por cima, catar vestígios das memórias, juntar destroços e espalhar confetes em cima disso tudo que compõe nossas vidas, com ou sem smartphones, televisão, internet, produtos, artes e pessoas.

Com formato flexível e adaptável, o trabalho estreia em temporada que explora espaços públicos das cidades de Recife e Olinda numa tentativa de superação dos entraves que envolvem a montagem de espetáculos em espaços culturais pernambucanos, assim como em busca de novos públicos, “incluindo aqueles que não tenham hábito, tempo ou desejo de frequentar uma casa de espetáculos”. Até o final do mês, a Cia. Etc. segue apresentando Os Superficiais na Praça de Boa Viagem (12 e 13/dez, às 16h) e no Teatro Arraial (19 e 20/dez, às 19h, com entrada franca).

Leia mais:  Oportunidades de aprendizado e experiência em São Paulo e Recife (PE): cursos sobre elaboração de projetos culturais + chamada para colaboração em performance de Tino Sehgal

Visite www.ciaetc.com.br e confira diversos registros multimídia do trabalho.

suave passinho antes do Natal
Bailarin@s de “Suave”, com direção de Alice Ripoll / foto: Peter Hönnemann

Inspirado no universo do passinho, estilo de dança urbana oriundo do funk carioca, Suave (ver foto acima) apresenta um elenco de 10 jovens bailarin@s – morador@s da zona norte do Rio de Janeiro – numa composição dirigida pela coreógrafa Alice Ripoll. Em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) até o dia 20 (depois de uma circulação bem sucedida por festivais europeus), Gabriel Tiobil Dançarino Brabo, Gbzinho Dançarino Brabo, Kinho JP, Nyandra Fernandes, Pablo Poison, Rodrigo Ninja Hattrick, Romulo Galvão, Sanderson Dançarino Brabo, Thamy Dançarina Braba e Vnzin Dançarino Brabo expandem-se inventivamente em cena, incorporando toda a complexidade do estilo de dança.

Surgido nas comunidades cariocas em contexto pós-UPP (Unidades de Polícia Pacificadora), em meio à disseminação do acesso à internet e aos smartphones, o passinho é um estilo extremamente intrincado, que se apropria de movimentos de outras danças (frevo, samba, hip hop, gay dance style) para compor seu próprio repertório. Naturalmente, as ferramentas digitais proporcionadas pelos telefones móveis constituem uma frente de propagação de grande impacto para conteúdos de movimento não menos poderosos.

Suave é uma co-produção do Festival Panorama, com idealização de Alice Ripoll. A criação do trabalho se deu numa residência artística na Arena Carioca Dicró (localizada no bairro da Penha), onde se reuniram as/os artistas integrantes. No CCJF, Suave possui sessões aos sábados e domingos (às 16h), com classificação indicativa 12 anos e ingressos a R$20 (inteira) e R$10 (meia-entrada).

O CCJF fica na Avenida Rio Branco, 241 – Centro (metrô Cinelândia) – Rio de Janeiro (RJ).

 

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