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RJ-SP-BA: a dança do final de semana

Na postagem de hoje tratamos de 4TX, que ganha sessões no Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro, e tem coreografias dirigidas por Flávia Costa; e Nihil Obstat, espetáculo da J.Gar.Cia Dança Contemporânea, que volta em cartaz em São Paulo. Além disso, apresentamos Murakami: O Leitor de Sonhos e Medo e Prazer em Sintonia, da Cia. Regina Miranda & AtoresBailarinos, que ganham sessões a partir da próxima quarta-feira (27/jan) no Teatro SESC Ginástico (RJ); e A Dança Ocupa o Porto, evento que acontece na cidade de Itacaré (BA), cuja intensa programação inclui oficinas, espetáculos e mostras de vídeos.

Vale lembrar que os espetáculos Romeu (de João Saldanha)no me digas que no (com a Renato Vieira Cia. de Dança)Onde Agora? Quando Agora? Quem Agora (do Núcleo EntreTanto) – pautas de postagens anteriores aqui no ctrl+alt+dança – seguem em cartaz nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Para informações práticas, sobre horários, datas e locais de apresentação, consulte nossa Agenda.

4TX final de semana
“4TX” conta com direção coreográfica de Flávia Costa / foto: divulgação

Hoje e amanhã (23 e 24/jan), o Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro recebe 4TX – As Quatro Texturas (ver foto acima), espetáculo que reúne sapateado, música, tecnologia e interatividade. O projeto reúne 2 bailarin@s e um músico, que dialogam a partir de texturas sonoras e imagéticas manipuladas digitalmente.

4TX é um jogo experimental e tecnológico, no qual a linguagem do outro é o impulso para o movimento, conforme aponta o texto de divulgação. No espetáculo, a dança utiliza o sapateado para explorar o corpo e sua tridimensionalidade no espaço. Sua relação com o chão serve como uma ferramenta comunicacional que gera imagens digitais.

Tais imagens, por sua vez, são manipuladas e projetadas numa grande tela cênica, atuando como um estímulo para o músico e sua criação sonora. Assim, instaura-se um sistema cíclico entre som, matéria, corpo e projeção visual.

A trilha sonora apresenta referências musicais dos anos 1950 e 1960, numa homenagem aos primórdios da música eletroacústica. 4TX – As Quatro Texturas conta com a direção coreográfica de Flávia Costa, além da concepção audiovisual de Negalê Jones e a performance de Lucas Santana.

Com classificação indicativa livre e ingressos a R$10 (inteira) e R$5 (meia-entrada), as sessões do espetáculo acontecem às 20h (hoje) e 18h (amanhã). O Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro fica na Rua José Higino, 115 – Tijuca – Rio de Janeiro (RJ).

Nihil Obstat final de semana
“Nihil Obstat”, com a J.Gar.Cia Dança Contemporânea / foto: Rose Carneiro e Charles Trigueiro

Em São Paulo, a J.Gar.Cia Dança Contemporânea apresenta o solo Nihil Obstat em sua sede, o espaço Capital 35. Com temporada que se estende até 31/jan (dom), o trabalho é dançado pelo diretor e coreógrafo Jorge Garcia, em celebração dos 10 anos de existência da companhia.

Nihil Obstat é uma obra de 2009, cujo título significa “nada impede” em latim – refere-se à aprovação que era preciso ter, por parte de uma autoridade eclesiástica, para que uma obra fosse publicada. É o primeiro trabalho de uma trilogia composta de dois outros espetáculos: Imprimi Potest Imprimatur.

Em nossa postagem de 7/mai/2014, a redatora Gabriela Alcofra e a colaboradora Danielle Greco compartilharam impressões sobre Nihil Obstat. Para Gabriela, o espetáculo a leva a refletir sobre a “responsabilidade compartilhada da manutenção de algo que nos agrade – e do fazer essa manutenção enquanto produção ativa e não apenas enquanto julgamento”. Ela segue afirmando que:

sozinho em cena, Jorge Garcia dá a ver o risco, o acaso, a determinação (…) As escolhas de Jorge assumem uma posição na dança – assim como a minha escrita, a sua dança, o seu pensamento, a minha dança, a nossa dança. 

Por sua vez, Danielle afirma ter saído da sessão imersa em questionamentos, “trazendo-os para a minha casa, para o meu cotidiano, para minha trajetória como artista-público”:

Como dar luz a uma pesquisa de movimento própria, uma trajetória artística? Como dar luz à historia das coisas e dos espaços com os quais nos relacionamos? Como desprogramar o movimento? Como desprogramar os mecanismos atuais de produção, as linhas de forças e vetores de uma mão só, a realização de dança contemporânea brasileira?

Em cena, Jorge busca a liberdade do movimento e as possibilidades de transformação no constante desafio da relação com o som e objetos cênicos, num improvisação estruturada. Ao longo dos anos, o coreógrafo vem desenvolvendo uma pesquisa inspirada em sua própria experiência corporal, que bebe em fontes diversas – do surfe ao futebol de várzea dos cantos de Pernambuco, das danças tradicionais brasileiras à dança contemporânea e clássica.

Leia mais:  Profissionais paulistan@s em busca de mais verba para a dança em 2014

As apresentações acontecem na Capital 35, que sedia os ensaios da companhia desde 2011 e também funciona como espaço de aulas livres e casa de espetáculos à noite. Trata-se de um ambiente acolhedor, informal, que aproxima o público d@s performers numa vivência casual.

A temporada de Nihil Obstat faz parte do projeto “10 Anos de J.Gar.Cia Dança Contemporânea”, contemplado através da 17a. edição do Programa Municipal de Fomento à Dança. As apresentações do trabalho acontecem hoje e amanhã (23 e 24/jan), e de quinta a domingo (28 a 31/jan), sempre às 20h, com ingressos a R$20 e classificação indicativa livre.

Uma dica: cada sessão comporta apenas 30 pessoas, então vale a pena reservar seu ingresso. Envie um e-mail para reservas.ciajgarcia@gmail.com.

A Capital 35 fica na Rua Capital Federal, 35 – Perdizes – São Paulo (SP).

Pé no Chão final de semana
O Festival de Dança de Itacaré (BA) promove o projeto A Dança Ocupa o Porto. Na foto: Inah Irenam, em “Pé no Chão?!” / crédito: Dayse Cardoso

Como desdobramento do Festival de Dança de Itacaré nasce o projeto A Dança Ocupa o Porto, cujo objetivo é articular pensador@s, criador@s e público para pesquisar e fomentar a prática da dança no litoral sul da Bahia. Com duração de 5 meses (até 25/mai), o projeto conta com uma programação intensa de oficinas, espetáculos e mostras de vídeos, sob direção artística de Verusya Correia. A Dança Ocupa o Porto acontecerá nos seguintes espaços: o Centro Cultural Porto de Trás (localizado na cidade de Itacaré) e o Centro Cultural Adonias Filho (em Itabuna).

Hoje e amanhã (23 e 24/jan, às 18h30), como parte da programação do projeto, a bailarina-coreógrafa Inah Irenam apresenta Pé no Chão?! (ver foto acima), cuja concepção parte do desafio musical da evolução do pagode baiano. Tal desafio foi transposto à dança e trabalhado junto ao samba de roda e ao samba de caboclo, aproximando as danças populares e suas tradições da cena contemporânea. As duas sessões acontecerão no Centro Cultural Porto de Trás.

Todas as atividades de A Dança Ocupa o Porto são gratuitas e possuem classificação indicativa livre. Clique aqui e baixe a programação completa do evento.

O Centro Cultural Porto de Trás fica na Rua Vinte e Seis de Janeiro, 169 – Itacaré (BA). O Centro Cultural Adonias Filho localiza-se na Praça José Almeida Alcântara, s/nº – Jardim do Ó – Itabuna (BA).

Medo e Prazer em Sintonia final de semana
“Medo e Prazer em Sintonia”, com a Cia. Regina Miranda & AtoresBailarinos / foto: Adriano Fagundes

No Rio de Janeiro, a Cia. Regina Miranda & AtoresBailarinos comemora 35 anos de atividades apresentando dois espetáculos recentes de seu repertório: Murakami: O Leitor de Sonhos e Medo e Prazer em Sintonia (ver foto acima). Embora distintos, os trabalhos pontuam interesses criativos atuais da coreógrafa Regina Miranda: o tempo e sua contenção e aceleração, os espaços superpostos e a precisão do movimento, a pesquisa de personagens e construção de identidades e pertencimento.

Murakami: O Leitor de Sonhos dialoga com a literatura e as obras do autor japonês Haruki Murakami. A dramaturgia gira em torno do sentimento de um homem que está sempre sendo abandonado por suas mulheres amadas e acaba construindo um percurso tumultuado, cheio de tropeços. O trabalho evoca o universo fantástico, que emerge das situações insólitas que o personagem central dessa narrativa atravessa.

Medo e Prazer em Sintonia, por sua vez, conta com texto, direção e coreografia de Regina Miranda, além da participação da bailarina Flávia Tápias. Nesse espetáculo, @s intérpretes utilizam o espaço cênico como espaço de luta e aperfeiçoamento pessoal. A dramaturgia se caracteriza por uma dinâmica de repetição de gestos e textos, e traz à tona uma reflexão dançada sobre o que é incompreensível.

As apresentações acontecem de 27 a 31/jan (qua a dom), sempre às 19h, no Teatro SESC Ginástico, com classificação indicativa 16 anos e ingressos a R$20 (inteira), R$10 (meia-entrada) e R$5 (associad@s SESC).

O Teatro SESC Ginástico fica na Avenida Graça Aranha, 187- Centro – Rio de Janeiro (RJ).

 

[*] Esta postagem contou com a colaboração de Iara Cerqueira.

 

 

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