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Dança com entrada franca: São Paulo

Marta Soares entrada franca
Marta Soares em “Vestígios” / foto: João Caldas

Em curso desde o início do mês, a ocupação da Oficina Cultural Oswald de Andrade (SP) com trabalhos da bailarina-coreógrafa Marta Soares celebra seus 20 anos de carreira. Vestígios, obra de 2010 (ver foto acima), é a primeira a ganhar apresentações – neste final de semana, há sessões hoje e amanhã (11 e 12/mar, às 20h), com entrada franca.

A pesquisa empreendida para criação da performance parte dos sambaquis, depósitos indígenas pré-históricos, localizados na região de Laguna, em Santa Catarina. Durante o processo criativo, Marta fez imersões físicas no local, numa investigação que integra elementos de antropologia, performance, dança e artes visuais.

Em cena, a artista busca uma síntese de sua experiência, a partir da qual propõe uma instalação. Seu corpo permanece sob a areia e promove uma “viagem ficcional”, enquanto o público dialoga com o espaço instalativo e o poder que emana dos sambaquis pesquisados.

Vestígios também faz referência à land art de Robert Smithson, que busca transportar ações e experiências artísticas para espaços naturais. O trabalho foi contemplado com o Prêmio APCA 2010 (Associação Paulista de Críticos de Arte) – na categoria Pesquisa em Dança – e foi indicado ao Prêmio Bravo! do mesmo ano.

Na sequência de Vestígios, o projeto de ocupação da Oficina Cultural Oswald de Andrade apresenta O Banho (em abril), Deslocamentos (maio) e Les Poupées (junho). Conforme Marta explica:

A ordem das apresentações reconstrói um corpo que volta a dançar. Com o tempo, meu trabalho foi ficando mais plástico, instalativo e performático. hoje é um híbrido entre dança, artes visuais (instalação e vídeo) e performance.

Para conferir as sessões de Vestígios, basta retirar sua senha na própria Oficina Cultural com 30 minutos de antecedência. O trabalho possui classificação indicativa livre.

A Oficina Cultural Oswald de Andrade fica na Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro – São Paulo (SP).

Núcleo Mercearia de Ideias entrada franca
Núcleo de Pesquisa Mercearia de Ideias em “Breve Compêndio para Pequenas Felicidades e Satisfações Diminutas” / foto: Clarissa Lambert

Na Galeria Olido (Sala Paissandu), o Núcleo de Pesquisa Mercearia de Ideias apresenta sua nova criação, intitulada Breve Compêndio para Pequenas Felicidades e Satisfações Diminutas (ver foto acima), com entrada franca. Fruto de reflexões sobre a busca da felicidade, o trabalho ganha sessões hoje e amanhã (11 e 12/mar), às 20h, e no domingo (13/mar), às 19h.

Ao longo de um processo criativo que durou 8 meses, o Núcleo Mercearia de Ideias foi organizando um resumo de vivências e experiências de cada artista que integra o espetáculo em sua saga pessoal na direção da felicidade. Na Sala Paissandu da Galeria Olido, tal resumo (ou compêndio) toma a forma de uma manifestação cênica. De acordo com Luiz Fernando Bongiovanni, que assina a coreografia de Breve Compêndio:

Optamos por fazer uma reflexão que não parte do senso comum sobre a felicidade geral, associada, na maior parte do tempo, ao amor, à saúde, aos bens materiais, mas de um outro tipo de felicidade. Aquela que cada pessoa descobre individualmente e nutre ao longo da vida. A felicidade que habita os instantes, as frestas, as passagens.

Em meio aos obstáculos inerentes a qualquer jornada rumo à felicidade, Breve Compêndio apresenta bailarin@s-intérpretes que exploram noções de velocidade e tempo imaginado, acolhem as pequenas gentilezas e “o que cabe dentro de um abraço”. Após as apresentações na Galeria Olido (Av. São João, 473 – Centro), o espetáculo segue para os teatros Alfredo Mesquita (18 a 20/mar, em Santana) e Flavio Império (25 a 27/mar, em Cangaíba), sempre com classificação indicativa livre e entrada franca.

Leia mais:  Pra pensar o corpo do performer e a dramaturgia na dança: oficinas com Gabriela Alcofra em São Paulo
Morena Nascimento entrada franca
Bailarin@s em “Antonia”, de Morena Nascimento / foto: Mayra Azzi

Também na Galeria Olido (Sala Olido), a bailarina-coreógrafa Morena Nascimento estreia Antonia: Como se em sua dança quisesse reinventar o exaustivo ciclo de nascer e morrer (ver foto acima). Criada exclusivamente a partir das relações estabelecidas entre 10 intérpretes selecionad@s em audição realizada em nov/2015, Antonia ganha sessões hoje e amanhã (11 e 12/mar), às 20h, e no domingo (13/mar), às 19h, com entrada franca.

Na nova criação, Morena priorizou as combinações formadas entre as/os bailarin@s, com a intenção de exercitar a coletividade a partir de singularidades individuais. Assim sendo, Antonia não nasceu de um tema pré-definido, mas em decorrência de solos que se destacam em meio aos movimentos velozes d@s intérpretes. Os fluxos da natureza e as forças ancestrais se revelam como importantes referências do trabalho, cujo processo criativo incluiu uma residência artística – de imersão integral – em Piracaia (interior do estado de São Paulo).

Assim como em Rêverie, último trabalho da bailarina-coreógrafa, Carolina Bianchi atua como colaboradora dramatúrgica da nova peça. Ela explica que seu trabalho funciona como “bordar paisagens”: não consiste em organizar textos para serem citados em cena, mas sim criar uma coesão através da potência do corpo através de situações, coreografias e sensações. Para tal, Carolina aproveitou as imagens geradas pelo coletivo de intérpretes para propor sentidos – ora com palavras, ora com movimentos.

A temporada de Antonia na Galeria Olido se estenderá até o dia 27. De lá – com entrada franca e classificação indicativa 14 anos – o trabalho segue para os teatros municipais Arthur Azevedo (18 a 20/mar, na Mooca) e Paulo Eiró (25 a 27/mar, em Santo Amaro).

 

[*] Esta postagem contou com a colaboração de André Bern.

 

 

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