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Escuta

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A escuta do corpo é um dos princípios da Técnica Klauss Vianna: um olhar para dentro, para que o movimento se exteriorize com sua individualidade, traçando um caminho de dentro para fora, em sintonia com o de fora para dentro e com o de dentro para dentro, criando, assim, uma rede de percepções. [**]

Ouvir é diferente de escutar. Um corpo que escuta é um corpo que está poroso no espaço – em contato com ele e com tudo ao seu redor. Aberto, atento e sensível.

A escuta está associada à presença, conexão, e também à capacidade de captar energias que perpassam todo o corpo no ambiente ao seu redor. Esse captar tem a ver tanto com uma percepção sensorial – visual, auditiva, tátil e olfativa – como de tempo, espaço e energias.

É muito comum ouvir a expressão “abrir a escuta” quando estamos numa aula de dança, ensaios ou espaços de criação. Muitas vezes, escuta, intuição e percepção se tornam a mesma coisa. No entanto, a escuta aqui tem relação com um estado de atenção/sensação do corpo que dança ou move. Com a sua potencialidade de estar junto, contagiar e deixar ser contagiado pelo espaço e por outros corpos.

“Corpo Ambiente”, performance com Aline Bernardi, Sofia Giliberti, Alexandre Ciconello e Vandré Vitorino / foto: Julius Mack

Falamos de uma escuta de si, que está mais relacionada com o microcosmo, as sensações do próprio corpo, os desejos e a consciência corporal. E a escuta do outro, ou do ambiente, está mais no nível do macrocosmo das relações dos corpos no espaço. Exercícios de foco – que estimulam o centro do corpo – meditação e tudo o que envolve silêncio e quietude ajudam a ativar um estado de escuta.

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Todo trabalho de cena tem escuta, mas alguns a escolhem como forma de se relacionar, ou com a função de estruturar a composição da cena/acontecimento. Práticas como contato-improvisação, viewpoints, a técnica Klauss Vianna e outros jogos corporais se utilizam muito da escuta para conectar o grupo e viabilizar o trabalho.

 

[*] Esta postagem integra a série Repertórios – uma das ações do projeto Dança Carioca na Rede: Corpo e Memória.

[**] MILLER, Jussara. A Escuta do Corpo: sistematização da técnica Klauss Vianna. São Paulo: Summus, 2007, p.18.

 

 

Comentários

2 comments

  1. Fábio Honório

    Muito bacana o texto, esse tema e os vídeos. Fiquei morrendo de saudade de aulas, de alguns processos e espetáculos que já participei. Uma memória que estava apagadinha foi reativada em mim (risos)… Interessante o que o Marco Gonçalves disse sobre o palhaço estar protegido pelo nariz durante a improvisação. Sem ele a responsabilidade é muito maior mesmo, pois, o nariz é uma máscara,né? Aliás, o nariz de palhaço é considerado a menor máscara do mundo.
    Interessante perceber que as fronteiras estão cada vez menores entre as linguagens- da dança, do teatro, da performance, etc- como bem colocaram a Cristina Moura e o Enrique Diaz. Acho que esse hibridismo na comunicação e nas artes em geral é uma realidade há tempos.

    • Dally Schwarz

      Oi Fábio! Muito massa ler seu comentário! Obrigada pelas considerações! Achei muito legal pois se conectou com o assunto da próxima postagem da série Eixo do Fora: um bate papo com a palhaça Valquíria Mascarenhas que está em cartaz com o espetáculo Lóve nas arenas cariocas esse mês! Que conexão! :)

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