Início » Notícias » Para conferir na ponte RJ-SP (parte 2)

Para conferir na ponte RJ-SP (parte 2)

Cisne Negro Cia. de Dança apresenta programação tripla na CAIXA Cultural São Paulo (SP) / foto: Silvia Machado

Neste final de semana (8 a 10/abr), a Cisne Negro Cia. de Dança apresenta 3 espetáculos gratuitos em São Paulo. Já vislumbrando 40 anos de trajetória (a serem celebrados em 2017), através da curtíssima temporada na CAIXA Cultural São Paulo a companhia busca revelar sua qualidade eclética.

Boi no Telhado, Sabiá e Sra. Margareth são as três criações que ganham sessões na CAIXA Cultural. “Ser uma companhia privada de dança no Brasil, que chega aos seus quarenta anos, é um fato marcante”, afirma a dupla de diretoras artísticas Dany e Hulda Bittencourt. Segundo elas, a companhia sobrevive através de patrocínios a projetos, apoios culturais e leis de incentivo à cultura.

Sobre as coreografiasBoi no Telhado foi criada em 1998 e conta com a composição musical de Darius Milhaud, músico francês que morou no Brasil em 1910. A coreografia explora as peculiaridades rítmicas da música, trazendo à cena a brasilidade musical, passando por marchinhas carnavalescas, maxixes e tangos brasileiros // Sabiá , de 1988, é um pas-de-deux dançado originalmente por Ana Botafogo, que tem como característica a execução da técnica clássica sob um olhar contemporâneo. A trilha musical desenvolvida por Tom Jobim e Chico Buarque ajuda a compor a cena num contraponto do gingado da MPB com o lirismo clássico do balé // Sra. Margareth, por sua vez, é a obra mais recente, de 2013; uma adaptação do coreógrafo Barak Marshall sobre a peça “As Criadas”, de Jean Genet. A narrativa conta a história de um grupo de funcionárias presas no porão da casa de uma patroa abusiva, que explora temas como as hierarquias de poder, o livre-arbítrio e a sobrevivência.

As três criações da Cisne Negro Cia. de Dança podem ser conferidas hoje e amanhã (sex e sáb), às 19h15; e no domingo, às 18h. A CAIXA Cultural São Paulo fica na Praça da Sé, 111 – Centro – São Paulo (SP).

“Mal-estar em Jakarta – Rito Biopolítico”, com o AUM/Núcleo de Caos / foto: osso osso

No Rio de Janeiro, o AUM/Núcleo de Caos apresenta no domingo (10/abr, às 20h) a última sessão da temporada de Mal-estar em Jakarta – Rito Biopolítico (ver foto acima) no Casarão. O trabalho de Caos Butoh se inspira nos macacos mascarados de Jakarta (Indonésia) – domesticados e torturados para forjar comportamentos humanos em troca de esmolas.

“Delirando meios e linguagens no processo de aberturas a outras realidades e intemporalidades”, Mal-estar em Jakarta, segundo o texto de divulgação, consiste de uma jornada pelo inumano, “um mergulho na sagrada escuridão para além de dicotomias”. Confira abaixo um teaser do trabalho:

Com performance de Glaucus Noia e Andressa Zanette, o trabalho acolhe um público de apenas 20 pessoas. As/Os interessad@s em conferir Mal-estar em Jakarta devem fazer reservas através do e-mail nucleodecaos@gmail.com – a contribuição sugerida é de R$15. Conforme consta na página do evento criado no Facebook:

Leia mais:  Cursos, oficinas, etc: inscrições na ponte RJ-SP
(…) não é apenas dê o quanto quiser, mas a oportunidade de você mesm@ pesar com quanto você pode, quer, acha interessante e/ou suficiente colaborar para ajudar a cobrir os custos da obra e do período de desenvolvimento, e apoiar a continuidade dos processos dos coletivos, do espaço e d@s artistas envolvid@s (…)

Para saber mais sobre o AUM/Núcleo de Caos, visite: www.nucleodecaos.wix.com/nucleodecaos. O Casarão fica na Rua Visconde de Paranaguá, 16 – Santa Teresa – Rio de Janeiro (RJ).

“Mordedores”, de Marcela Levi & Lucía Russo / foto: Renato Mangolin

Mordedores (ver foto acima), peça de dança contemporânea de Marcela Levi & Lucía Russo, entrou em ampla circulação pelas Arenas Cariocas desde a semana passada (quando fez uma passagem pela Arena Dicró, localizada no bairro da Penha). Com novas sessões de hoje a domingo (8 a 10/abr, às 19h) na Arena Chacrinha (Pedra de Guaratiba), o trabalho se inspira na mordida do jogador uruguaio Luis Suárez durante a Copa do Mundo de 2014 para se perguntar se a violência também pode ser pensada enquanto força criativa e desejante – não apenas como uma força destrutiva.

Confira um vídeo de divulgação de Mordedores:

Fruto do investimento num processo criativo de longa duração que demandou a colaboração de jovens performers, o trabalho articula corpos de modo impiedoso, resultante de um frágil equilíbrio de relações e afetos em circulação. Conforme aponta o texto de divulgação de Mordedores:

Contrariando o imaginário e as políticas culturais e sociais que visam pacificar a violência por meio de uma dopagem, de um esvaziamento de energia – também eles, evidentemente violentos, realizados em nome de harmonia edificante – Levi e Russo incorporam a energia da violência como disparadora de uma espiral de forças em tensão. Ao corpo contemporâneo blindado e asséptico, na desesperada busca de uma fortaleza auto-protetora envolvida em fantasias cosméticas, contrapõe-se um corpo permeável, mais elástico, que pode romper, que suja e se suja, que pensa e é pensado, morde e é mordido.

Na Arena Chacrinha (R. Soldado Elizeu Hipólito, s/nº – Pedra de Guaratiba), Marcela e Lucía ainda conduzirão uma oficina amanhã (9/abr, às 15h) – com 15 vagas disponíveis, por ordem de chegada. Mordedores possui classificação indicativa 10 anos e todas as atividades do projeto de circulação – performances e oficinas – são inteiramente gratuitas.

Na sequência da Arena Chacrinha, o trabalho ganha novas sessões e oficinas nas Arenas Fernando Torres (Madureira, nos dias 14 e 15/abr, às 19h) e Jovelina Pérola Negra (Pavuna, 22 a 24/abr, às 19h), além do Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro (Tijuca, em apresentação única no dia 13/abr, às 20h). Para mais informações sobre a circulação de Mordedores, acesse: marcelalevi.com.

 

[*] Esta postagem contou com a colaboração de André Bern.

 

Comentários