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Ações

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A ação traz substância física para o corpo, auxiliando na presença. Ações são os verbos nas frases que dão a acentuação do fazer. São parte integrante de projetos e atitudes que viabilizam um trabalho, seja na área de dança ou das artes em geral.

As ações se aproximam dos movimentos do cotidiano, do banal e do ordinário. São acontecimentos que viabilizam estados – são as tarefas, palavras disparadoras e, às vezes, o “simplesmente fazer algo”. Estão intimamente juntas da percepção e da mente, não podem se separar. Qualquer abalo no corpo reverbera mostrando intenção e desejo, tocando o mundo.

Quando pensamos na palavra ação na dança ocidental, nos recordamos rapidamente das ações físicas, influências de pesquisas entre dança e teatro nos séculos XIX e XX. Poderíamos, assim, lembrar de nomes como Stanislavski, Grotowski, Meyerhold, Dalcroze, Laban… em sua maioria, influenciados por diversas artes “orientais”: a dança balinesa, o teatro japonês e Kabuki, a filosofia e os asanas da yoga, a filosofia sufi.

A bailarina Anna Halprin, conforme registra a “história da dança ocidental”, utilizava objetos e tarefas em suas aulas, sugerindo uma percepção mais analítica do corpo. A ideia era que as pessoas se aproximassem da natureza de seu movimento enquanto ação, e percebessem as modificações que ele trazia para o corpo em sua estrutura, musculatura, postura. Halprin chamava a atenção para esse movimento cotidiano, que seria um “simplesmente fazer algo”.

Por sua vez, a bailarina e coreógrafa Simone Forti, aluna de Halprin, posteriormente trabalhou com esses princípios, criando estruturas para dança. Através de tarefas e regras, o corpo era convidado ao contato com peças escultóricas chamadas de estruturas. Para ela, esse estado do corpo era  “cinestesicamente honesto”, sem nenhum tipo de gestualidade para além do esforço e do gesto do movimento para se realizar a tarefa. Se a tarefa fosse escalar uma placa de madeira inclinada usando cordas, como no caso de Slant board (1961), essa era a movimentação.

O trabalho de Forti sintetizou e buscou focar o corpo numa única ação, a cada proposta – algo muito próximo das brincadeiras infantis, espontâneas, em que se pode perceber elementos básicos da dança (equilíbrio, peso, impulso, energia, resistência, articulação) de forma simples e precisa.

Diversos grupos, companhias, bailarin@s, performers e coreógraf@s utilizam ações em seus trabalhos, e também é possível entender um trabalho em si como uma ação de dança. Uma vez que nas danças contemporâneas abrem-se possibilidades de investigações cênicas que dialogam com outras artes, as/os criador@s exploram movimentos e caminhos de forma mais livre – para além de passos ou formas prontas. Muitos trabalhos acabam não contendo esses códigos tão demarcados.

 

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[*] Esta postagem integra a série Repertórios – uma das ações do projeto Dança Carioca na Rede: Corpo e Memória.

 

 

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