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Na ponte RJ-SP: a dança dos próximos dias

Como de costume, elaboramos postagens com pequenas seleções de espetáculos e performances para conferir no final de semana e dias próximos. No post de hoje, o recorte flutua na ponte Rio-Sampa e tem [ph2]: estado de teatro, Angel Vianna, Cia. Híbrida, Ocupação Vesica Piscis, Artesãos do Corpo e Perversos Polimorfos. Vamos conferir!

foto: Raoni
“A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida Não Paga” / foto: Raoni Maddalena

Hoje (4/jun, 20h), a [ph2]: estado de teatro realiza a última sessão do espetáculo A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga (ver foto acima) em São Paulo. A apresentação, que acontecerá na Oficina Cultural Oswald de Andrade, propõe uma obra cênica que reúne recursos do cinema, da dança e do teatro para inventar modos de estar e ser invisível.

Confira abaixo um vídeo de divulgação:

A criação é fruto do encontro da [ph2]: estado de teatro com as companhias Lagartijas Tiradas al Sol (México) e La Maldita Vanidad (Colômbia) no âmbito do Projeto 85 – A Dívida em 3 Episódios, de 2015. Nele, as/os artistas refletiram sobre a história recente dos seus três países de origem e confluíram para o tema do “endividamento” e questionamentos sobre a “dívida”.

Em seu desdobramento, a dívida passa, então, a ganhar outras proporções – na direção das esferas moral, financeira, amorosa e subjetiva; chega-se à conclusão de que somos tod@s devedor@s. Na montagem, 6 personagens não estão dispost@s a pagar suas dívidas e, para isso, buscam maneiras de desaparecer.

“A Sagração da Primavera” enquanto referência surgiu após um encontro com o coreógrafo Marcelo Evelin, no qual propostas sobre a permissividade do corpo foram experimentadas – relacionando o “corpo permissivo” a um corpo sem dívidas. Nesse sentido, para se libertar de suas dívidas, o grupo implementa estratégias de invisibilidade, utilizando uma lona preta como recurso que se mescla entre as proposições de dança e as intervenções cinematográficas.

A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga possui direção coreográfica assinada por Bruno Moreno e Isabella Gonçalves, além da direção cinematográfica de Renato Sircilli e Rodrigo Batista. A [ph2]: estado de teatro foi criada em 2007, no Departamento de Artes Cênicas da Universidade de São Paulo (USP), integrando artistas de diversas formações.

A sessão de hoje na Oficina Cultural Oswald de Andrade (R. Três Rios, 363 – Bom Retiro) é gratuita. Basta retirar seu ingresso com uma hora de antecedência.

foto: Maurício Maia
Angel Vianna em “Amanhã é Outro Dia” / foto: Maurício Maia

Até 3/jul, diversos espaços culturais do Rio de Janeiro recebem a temporada de estreia de Amanhã é Outro Dia (ver foto acima)empreitada criativa de Angel Vianna em parceria com o diretor Norberto Presta. As últimas sessões no Espaço SESC (R. Domingos Ferreira, 160 – Copacabana) acontecem hoje e amanhã (4 e 5/jun, respectivamente às 21h e 20h, com ingressos a R$20 (inteira) e R$10 (meia-entrada)), de onde o espetáculo segue para novas apresentações no Centro de Artes da Maré e no Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro.

Angel Vianna, que completa 88 anos de idade em 2016, é uma das responsáveis pela difusão da Dança-Terapia e da Expressão Corporal no Brasil, juntamente com Klauss Vianna (com quem foi casada). Em 1983, fundou a Escola Angel Vianna no Rio de Janeiro – que, em 2001, também se tornou faculdade de dança, fruto de seu trabalho em arte e educação, iniciado em 1955 em Belo Horizonte (MG). Uma marca de sua pesquisa em curso é a sensibilidade à singularidade dos corpos, o respeito e valorização de suas diferenças.

Por todos esses motivos, Angel é um ícone para a dança brasileira. Norberto, por sua vez, articulou tão longa e rica trajetória para compor a dramaturgia de Amanhã é Outro Dia. Em cena, a mestra-bailarina indaga suas próprias memórias, misturadas à história do Rio de Janeiro – um organismo composto de corpo, cidade e memória. Conforme o diretor revela:

Desde sua chegada ao Rio, em 1965, seu corpo e o corpo da cidade viveram momentos marcantes, que se influenciaram mutuamente. É essa trajetória, transformada em dança, que ‘Amanhã é outro dia’ pretende trazer ao palco.

Esse é o primeiro trabalho autoral da mestra desde 1997 – quando estreou Angel, Simplesmente Angel. Começou a partir de uma brincadeira: após assistir um espetáculo dirigido por Norberto, Angel comentou com o diretor que “queria um igual a esse”. Ele, então, montou o projeto, que ela adorou e abraçou como desafio.

Em cena aos 88 anos de idade, Angel realiza um ato de defesa de uma carreira mais longeva para bailarin@s – uma afirmação de que o palco é livre para quem desejar ocupá-lo. Com Amanhã é Outro Dia, Angel revela que “está buscando um caminho novo, uma maneira nova de viver, de dizer e de dançar”. Em suma, é preciso mover, sempre.

Do Espaço SESC, o espetáculo segue para o Centro de Artes da Maré (R. Bittencourt Sampaio, 181 – Maré), com apresentações gratuitas em 11 e 12/jun (sáb e dom, às 18h); e para o Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro (R. José Higino, 115 – Tijuca (metrô Uruguai)), com sessões entre 24/jun e 3/jul (sempre às sextas e sábados, às 20h; e domingos, às 18h – com ingressos a R$20 (inteira) e R$10 (meia-entrada)).

Companhia Híbrida em "Non Stop" / foto: Renato Mangolin
Cia. Híbrida em “Non Stop” / foto: Renato Mangolin

Também no Rio de Janeiro, a Cia. Híbrida, dirigida pelo coreógrafo Renato Cruz, leva Non Stop (ver foto acima) ao Centro Coreográfico da Cidade. Com sessões hoje e amanhã (4 e 5/jun, respectivamente às 20h e 18h), o espetáculo integra elementos do hip-hop e da dança contemporânea em sua pesquisa cênica/corporal.

Para a montagem, Renato se impôs o desafio da ausência de texto – ferramenta recorrente no repertório da companhia – e se debruçou sobre o corpo e suas possibilidades, buscando elaborar partituras nas quais o movimento não tivesse um fim; em outras palavras, um movimento “sem-parar”, non stop. Inicialmente, a pesquisa tinha como referência a utilização do corpo como máquina – presente em algumas vertentes das danças urbanas; no entanto, com o desenvolvimento da investigação, o fluxo gerado pelo movimento trouxe a ideia de circularidade como metáfora para pensar um corpo que nunca para.

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Conforme aponta André Bern (editor de ctrl+alt+dança), em comentário sobre o espetáculo, a Companhia Híbrida opta por testar suas plateias jovens “apresentando uma composição mais ousada (…) levando-se em consideração seu próprio repertório de criações”:

Frequentemente afeita a se impor desafios – ora temáticos, ora formais – a cada criação, em Non Stop a companhia se afasta de referências mais óbvias quando a pauta é o diálogo entre dança contemporânea e danças urbanas (…) Os elementos de break e waacking estão visivelmente presentes e assumidos, atraentemente deslocados e revistos: b-boys repetem movimentos do vocabulário urbano de maneira convulsiva, como que acionados ao vivo por um software de edição de vídeos.

As sessões de Non Stop no Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro (R. José Higino, 115 – Tijuca (metrô Uruguai)) possuem ingressos a R$4 (inteira) e R$2 (meia-entrada).

“Cebola”, de Márcia Milhazes, integra a programação da Ocupação Vesica Piscis, no MAC USP Ibirapuera / foto: Ana Clara Miranda

De volta a São Paulo: no MAC USP Ibirapuera (Museu de Arte Contemporânea de São Paulo), a Ocupação Vesica Piscis apresenta espetáculos de dança e uma exposição que investigam a difusão do trabalho de Rudolf Laban no Brasil. Idealizado por Maria Mommensohn, o projeto permanece aberto ao público – com entrada franca – até 10/jul.

A Ocupação é organizada em 3 partes: Ocupação Laban em Fluxo – Espaço Imersivo, Exposição Maria Duschenes e Cinco Obras Coreográficas.

Rudolf Laban foi um pesquisador do corpo e da dança do final do século XIX, cujo trabalho se tornou um divisor de águas na dança moderna alemã. Até hoje, suas investigações – que incluem uma notação para dança e estudos sobre qualidades de movimento – influenciam coreógraf@s e pesquisador@s no mundo inteiro. Em São Paulo, Maria Duschenes foi a principal responsável pela difusão desses conhecimentos nas décadas de 1960 a 1990 – com quem, a propósito, a idealizadora da Ocupação Vesica Piscis, Maria Mommensohn, teve aulas.

As duas primeiras partes da Ocupação – Laban em Fluxo – Espaço Imersivo e Exposição Maria Duschenes – têm visitação aberta de terça a domingo, a partir de 10h. Elas expõem objetos interativos, icosaedros (forma geométrica muito utilizada por Laban para pensar o espaço e sua relação com o corpo e o movimento), além de vídeos e fotografias que contam a história e trajetória de Maria Duschenes.

A terceira parte, intitulada Cinco Obras Coreográficas, convida coreógraf@s a criar espetáculos inéditos que se relacionem diretamente com a obra de Laban: Cristal, de Ciane Fernandes e o coletivo A-FETO, ganha sessão amanhã (5/jun), de 14h às 17h; Baleia Encalhada na Praia, de Andreia Yonashiro e participação de Marion Hesser e Marcius Lidner, possui sessões nos dias 10, 11 e 12, sempre às 16h; Vesica Piscis, de Maria Mommensohn e Henrique Schuller, ganha sessões de 17 a 26/jun (sex a dom), de 14h às 17h; Obra Sem Título, de Juliana Moraes, possui apresentações nos dias 1, 2 e 3/jul, às 16h; e Cebola (ver foto acima), de Márcia Milhazes, encerra a Ocupação, com a participação de Ana Amélia Vianna e Domenico Salvatore, com apresentações nos dias 8, 9 e 10/jul, de 13h às 17h.

O MAC USP Ibirapuera fica na Avenida Pedro Álvares Cabral, 1.301 – São Paulo (SP).

Cia. Artesãos do Corpo em "Tempo Suspenso" / foto: Fabio Pazzini
Cia. Artesãos do Corpo em “Tempo Suspenso” / foto: Fabio Pazzini

Ainda em São Paulo, Tempo Suspenso (ver foto acima)da Cia. Artesãos do Corpo ganha temporada gratuita no Complexo Cultural FUNARTE SP até 19/jun. Na montagem, a companhia investe no tema da “imigração” e investiga seus motes coreográficos.

O ponto de partida para a nova criação está n@s refugiad@s que chegam à cidade e os locais que as/os abrigam. Em outras palavras, as inquietações provocadas por corpos que se deslocam em busca de um novo lugar, redesenhando mapas próprios, deixando rastros e memórias.

“A questão do refúgio é um desafio mundial e enquanto as nações repetem velhas estratégias de exclusão do diferente, o tempo permanece suspenso”, conta Mirtes Calheiros, diretora do espetáculo. Ela acredita que o palco é o lugar onde esses trânsitos se entrecruzam, e vê no corpo o campo de registro de histórias e memórias que buscam um lugar para dançar suas presenças e ausências.

Tempo Suspenso foi criado a partir de uma residência nas Escadarias da Pastoral do Migrante, localizada no bairro do Glicério. Lá, a companhia conviveu com vári@s imigrantes, de todas as partes do mundo, compartilhando histórias, superando terrores recentes e conectando-se em busca de trabalho e moradia seguros.

Com sessões às sextas e sábados, às 19h30, e domingos, às 18h, Tempo Suspenso acontece na Sala Renée Gumiel, do Complexo Cultural FUNARTE SP (Alameda Nothmann, 1.058 – Campos Elíseos).

A Praça das Artes (SP) é o local onde a Cia. Perversos Polimorfos realiza o projeto Ensaios Perversos / foto: divulgação

Neste momento, a Cia. Perversos Polimorfos implementa seus Ensaios Polimorfos em plena Praça das Artes (ver foto acima), em São Paulo. Num total de 7 horas ininterruptas de atividades, o evento visa gerar um ambiente de partilha de diferentes pontos de vista e constitui-se de 3 ações: Conversas Sem Fim – um@ convidad@ desenvolve um tema de interesse num encontro aberto ao público; Preliminares – espaço destinado à mostra de trabalhos ainda inéditos, em véspera de estreia; e Compartilhamento Informal de Ideias – ambiente regido pela seleção musical de um@ DJ convidad@, no qual artistas e público podem conviver e conversar informalmente.

Desde às 17h, Joyce Barbosa, diretora artística e coreógrafa da Paralelo Cia. de Dança, traz para debate o tema “É possível uma economia na dança?”. Às 20h30, Andreia Yonashiro faz a pré-estreia do trabalho que será apresentado na Ocupação Vesica Piscis, Baleia Encalhada na Praia: um jogo de metáforas entre pedra, baleia e mulher grávida, baseado nos fundamentos de Rudolf Laban. Por fim, entre 21h e meia-noite, DJ Cigarra no Dance Floor rege o Compartilhamento Informal de Ideias, acompanhado de quitutes do chef André Fuser.

A programação é gratuita e acontece na área de convivência da Praça das Artes, localizada na Avenida São João, 281 – 1º andar – Centro – São Paulo (SP).

 

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