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Seis Anos Depois: Fernanda Campos convida

Durante um período de quase 3 meses, estagiei com André Bern no ctrl+alt+dança. Entre outras atividades, transcrevi entrevistas para os fascículos virtuais que compõem a série Seis Anos Depois – conversas com 5 figuras da dança contemporânea do Rio de Janeiro (Esther Weitzman, Paulo Marques, Morena Paiva, Ligia Tourinho e Giselda Fernandes) após seis anos de uma primeira entrevista. Os cinco falam de seus trabalhos atuais e das realizações que ocorreram nesses últimos 6 anos, em trajetórias que se entrelaçam.

Morena Paiva fala sobre “capas” que insistimos em dizer que podem ser tiradas de nós: não vestimos, por exemplo, a capa de artista, e depois tiramos; arte é vida e está inserida nela. Morena também fala sobre “ser árvore” – somos árvore, não cimento; e devemos lembrar que nenhuma árvore é igual à outra. Paulo Marques – de maneira semelhante – quando conta sobre suas aulas, afirma que não são aulas de balé, mas sim aulas de vida, para as pessoas mais diversas, com os gostos mais diversos. Enquanto estamos dançando, estamos vivendo e fazendo arte.

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Lígia Tourinho e Esther Weitzman falam do feminino, de jeitos diferentes. Lígia aponta uma realidade cruel, Esther busca um universo mais positivo. Os lados bom e ruim de ser mulher, as rosas e seus espinhos. Os dois tratam do feminino mas, afinal, o que é o feminino? Todas as mulheres são femininas. Nós já nascemos femininas, cada uma do seu jeito, com a sua peculiaridade.

Giselda Fernandes conta sobre seus objetos-partner, como dá vida à parceria com eles. Fala sobre seu espetáculo solo, Sobre Cisnes, e também sobre ser uma bailarina-senhora-a-caminho-dos-55-anos. Será que há idade certa para ser bailarino? Depois que ficamos velhos, não somos mais bailarinos? O que me leva novamente à “capa de artista” proposta pela Morena. Em nenhum momento deixamos de ser algo, não importa a idade.

Enquanto jovem mulher negra, percebo, em cada entrevista, questões que são pertinentes não apenas na dança, mas na vida, pois creio que uma não está separada da outra. Enxergo alguns tabus que ainda precisam ser quebrados, realidades que devem ser mostradas com mais frequência, e discursos que me dão um certo tipo de conforto – saber que não sou a única a pensar assim – como, por exemplo, Lígia falando sobre a violência contra a mulher e o feminicídio.

Acredito que todos se identificarão com os fascículos, os assuntos e interesses tratados; enfim, as reflexões sobre dança, arte e vida contidas neles.

 

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