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Decorrer é uma série de ensaios fotográficos nos quais o bailarino-fotógrafo Julius Mack acompanha “a dança de um@ artista no decorrer de um dia” – desde o momento em que el@ acorda até sua hora de dormir. A ação integra a 3. edição do projeto Dança Carioca na Rede (Corpo e Memória), e apresenta Dandara Patroclo, William Freitas e Xandy Carvalho como convidad@s.

 

Os ensaios ::

Xandy Carvalho

Xandy Carvalho é cantor, músico, bailarino e artista plástico. Ministra a disciplina de Folclore Brasileiro no Departamento de Arte Corporal da Universidade Federal do Rio de Janeiro (DAC-UFRJ). Candomblecista, coordena o PADE – Projeto em Africanidade na Dança Educação. É integrante da Companhia Folclórica do Rio desde 1989.  

O PADE é um projeto que, na verdade, é a minha menina dos olhos. Embora eu seja membro da Companhia Folclórica [do Rio] há 26 anos, coordeno o PADE há 6. Ele fala de assuntos importantes pra mim, que são a intolerância religiosa, a cultura do Candomblé, os saberes das comunidades de terreiro de matriz africana… a Umbanda está incluída também.

Foi ótimo! Gostei muito da ideia do projeto! Passamos o dia juntos, depois ele [Julius] veio pra cá, dormiu aqui em casa… e fomos pro terreiro, pra casa de santo onde eu me cuido. Era festa do Oxóssi.

Esse é o meu cotidiano… fazendo as minhas coisas e o Julius acompanhando. Embora seja um querido amigo, um aluno muito próximo a mim e às minhas iniciativas artísticas – inclusive no trabalho com o PADE – o Julius é que ficou meio tímido. Ele me confidenciou isso.

Dandara Patroclo

Dandara Patroclo tem 26 anos, é bailarina formada pelo Centro de Dança Rio e cursa a graduação em Dança da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente, integra o elenco de Dançar (não) é Precisoda Esther Weitzman Companhia de Dança – em cartaz em diversos espaços culturais da cidade do Rio de Janeiro.

Achei super natural o Julius me acompanhar… tenho amizade e carinho por ele. Não me senti incomodada em nenhum momento. Mesmo sendo um trabalho profissional, por trazer e mostrar minha casa, meu cotidiano, conversar sobre minhas experiências, ouvir mais. Senti que ficamos mais íntimos.  

Pra mim, Dançar (não) é Preciso foi um projeto de descobertas, amadurecimento e aprendizados. Quase um ano e meio de pesquisa! Confesso que, em alguns momentos, tive muitas inquietações sobre a minha dança, e ainda tenho… O trabalho foi se transformando e eu também. Todo dia é dia de luta e forças pra estar em cena, criando, colocando minhas vivências, memórias pra jogo… pra não perder, nem esquecer quem eu sou.

Na nova temporada, espero dançar mais e cada vez brincar mais com o público, comigo e meus amigos em cena. Depois de todo o nosso envolvimento no projeto e na criação do trabalho, acho que o que mais queremos é dançar, ser reconhecido, voar cada vez mais. Hoje em dia, estar em cena é tão difícil… só temos que agradecer pela oportunidade de mostrar o lindo trabalho que criamos.

Quando a Esther me convidou pro trabalho, eu não a conhecia. Nem sabia o que estava por vir. Tivemos aulas com vários professores bacanas… era um contexto totalmente diferente, não conhecia ninguém. Estudo Dança na UFRJ e sempre faço cursos quando dá, mas é tudo muito fechado. Gostaria de que as universidades e as escolas de dança fossem mais integradas, dessem mais oportunidades. Tem muita gente boa que acaba dando aula, pois não tem chance de dançar… não tem mercado.

Eu agradeço muito por poder estar em cena, dançando… ser um pouco de referência para pessoas com o meu perfil, que quando assistem dança não se reconhecem. Dança para todos os corpos, cores, gêneros.

William Freitas

William Freitas é ator e bailarino credenciado pelo SATED/RS (Sindicato dos Artistas e Técnicos de Espetáculos de Diversões do Rio Grande do Sul). Foi acadêmico do curso de Licenciatura em Dança da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA/RS). Iniciou seus estudos em Dança em 2002 e, desde então, vem se especializando em algumas tendências de dança urbana e contemporânea como bailarino, coreógrafo, pesquisador e diretor. Atualmente, ministra aulas e oficinas, e cursa Artes Dramáticas na Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Pena, no Rio de Janeiro (RJ).

O projeto é louvável, tem a importância de desvelar a vida dos artistas da dança. Somos pessoas comuns, normais (…) trabalhamos e temos uma rotina corrida e custosa, como em qualquer outra profissão. No meio de tudo isso, de aulas e ensaios, a gente faz comida, leva o lixo. Somos artesãos da própria vida. 

Foi muito maneiro o dia! O Julius é uma pessoa super sensível, com tato. Como a gente já se conhecia, o dia fluiu de uma maneira muito natural, orgânica (…) Eu me senti como se estivesse recebendo um amigo… aquele que você não pode deixar em casa e acaba fazendo as coisas todas junto com você.

Fico muito feliz de participar do projeto… teve muita coisa hoje! Dei bastante aula e fui pra Martins [Pena] ensaiar uma performance, “O Julgamento do Pezão”… a ocupação da escola.

Eu me considero uma pessoa super simples, não teria muito o que inventar. Gosto de me movimentar, fazer muitas coisas… isso traduz bem o que eu sou, as minhas atividades, minha história com a dança, como artista. Arte não é estrelato e holofote. É trabalho e suor mesmo. Tem que trabalhar, ralar, suar, fazer as coisas acontecerem. Nada cai do céu, não!