[Elielson Pacheco em Sobre ossos e robôs / fonte: festivaldedanca.com.br]

Circula no Facebook uma carta escrita pelo artista Elielson Pacheco, integrante do Núcleo do Dirceu (PI), sobre uma discussão sobre políticas públicas para dança ocorrida em 14/mai na cidade de Teresina. O ctrl+alt+dança publica abaixo a carta na íntegra, após obter permissão do artista.

Confiram!

CARTA-ATA POLÍTICA PÚBLICA PARA DANÇA, por Elielson Pacheco

Caríssimos,

Venho através desta carta-ata direcionada aos artistas da dança, instituições públicas responsáveis e população interessada, para comunicar-lhes o sumo da discussão que aconteceu esta segunda-feira, dia 14 de maio de 2012, sobre o tema Políticas Públicas para Dança. Um encontro proporcionado e sediado pelo Núcleo do Dirceu e mediado pelo artista e gestor cultural Marcos Moraes.

Estavam presentes os coreógrafos Sidh Ribeiro, Luzia Amélia e Marcelo Evelin; as bailarinas da Cia. de Dança Luzia Amélia: Andréia Barreto e Drica Monteiro; a coordenadora de produção e produtor executivo do Núcleo do Dirceu, respectivamente: Regina Veloso e Caio César; o diretor e coordenador da Escola de Dança do Estado Lenir Argento, respectivamente: Datan Izaká e Paulo Beltrão; o ator do Grupo Harém de Teatro, gestor cultural e representante da FUNDAC: Francisco Pellé; os artistas do Núcleo do Dirceu: Layane Holanda, Cipó Alvarenga, Cleyde Silva, Jell Carone, Alexandre Santos, Jacob Alves, Danielle Soares, Weyla Carvalho e César Costa; o integrante do grupo de Le Parkour: Victor Gabriel; o artista em intercâmbio: Andrez Lean Ghizze; a representante civil e estudante da Universidade Federal do Piauí-UFPI: Ariene Duarte e a cobertura da TV Assembléia.

Marcos Moares possui significativa experiência no campo da gestão de políticas públicas nacionais para a dança; foi coordenador de Dança da Funarte/ MinC, tendo conduzido a negociação que resultou na formação da Câmara Setorial de Dança, hoje Colegiado de Dança, vinculado ao CNPC (Conselho Nacional de Política Cultural); tendo, além disso, trabalhado na articulação de redes e coletivos agrupados a partir dos Fóruns de Economia da Dança.

Para articular uma conversa que fosse mais contextualizada, Marcos propôs que discutíssemos os problemas, inquietudes e necessidades da dança que estivessem relacionados às políticas culturais das quais participamos.

O ponto mais importante levantado pelos presentes foi o RECONHECIMENTO de que a dança é uma das linguagens artísticas que mais vem se desenvolvendo em nossa cidade. Esse desenvolvimento se manifesta através do trabalho feito pelas companhias, coletivos, grupos e escolas que atuam nos diversos segmentos da cadeia produtiva de dança, ou seja, formação (de artistas e público), criação, manutenção, difusão, produção, circulação e pesquisa. Desenvolvimento este que alimenta não apenas o trabalho dos artistas, mas de todos os profissionais relacionados a essa área como produtores, iluminadores, artistas gráficos, web designers, fotógrafos, vídeo-makers, músicos, dramaturgos, figurinistas, cenógrafos, técnicos, interlocutores de outras áreas. Em resumo, a dança é geradora de uma teia, de um mercado que agrega diversos tipos de profissionais. Então, percebemos a importantíssima e urgente demanda de tornar público esse processo reflexivo.

No caso do tema em pauta, era extremamente vital que as representações institucionais públicas do município estivessem presentes e abertas para esse diálogo artistas/gestores públicos. No entanto, isso não aconteceu na íntegra. Registrou-se a ausência de dois de nossos representantes públicos: Marcelo Leonardo, como presidente da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves (FMCMC) e Helly Batista Jr., como coordenador de dança da FMCMC. Assim, como também, a ausência de Roberto Freitas, diretor do Balé da Cidade de Teresina, que é uma das principais políticas públicas municipais de dança na cidade. Eles foram devidamente convidados, mas não enviaram nenhum representante que pudesse nos inteirar sobre seus planejamentos e iniciativas para a área e muito menos nos deram prévia justificativa de suas ausências. Para nós essa atitude significou negligência e descaso para com a dança da cidade, historicamente tomada como a cereja do bolo, o “laço de fita” das citadas instituições, facilmente relegada a um papel social extremamente estereotipado e diminuído.

Por outro lado, tivemos a presença de Franciso Pellé, representando a presidente da Fundação Estadual de Cultura (FUNDAC) Bid Lima, e que nos deixou a par da situação atual em que esse órgão se encontra. Detalhando suas dificuldades políticas atuais, limitações institucionais e planejamento de novas ações públicas, tais como, ampliação da lei de incentivo do SIEC através de editais que beneficiarão além de projetos de criação, também projetos de circulação de obras de dança e teatro.

Por isso, tornou-se ainda mais fundamental que todos ficassem cientes dessas ausências e seus significados, bem como das questões geradas e discutidas no encontro.

A partir desses questionamentos identificamos dois importantes focos de interesse: o primeiro deles diz respeito às necessidades da classe da dança em relação às instâncias públicas e identificamos como fundamental:

1. O estabelecimento de uma interlocução dos coordenadores ou representantes das Fundações de Cultura Estadual e Municipal à respeito da elaboração, planejamento e dotação orçamentária de política pública específica para a dança.

2. A necessidade de um Espaço público para a Dança, como iniciativa municipal.

O segundo foco diz respeito à discussão das políticas públicas já existentes para o segmento. Quanto a ele, questionamos:

1. Festival de Dança de Teresina

É possível pensarmos numa estrutura de festival para além de objetivos competitivos? Que visões de mundo e padrões de comportamento são divulgados, valorizados e reforçados por uma iniciativa pública que entende a dança como tendo um melhor, um 1º, 2º, 3º e um zero lugar? O que se ganha concretamente? E mesmo o dinheiro que se ganha chega a oferecer condições para manutenção dos artistas e grupos participantes ou, minimamente, para que estes possam criar suas obras? Será que uma política como essa acaba gerando nos artistas a necessidade de produzir apenas obras que se enquadrem dentro do juízo de valor (melhor/ pior)? É possível pensar na elaboração de um edital público onde concorram projetos para criação de um festival de dança, que possa gerar outro tipo de obras e pensamento? Que possibilite a apresentação de criações geradas por motivações e questões outras? Que possibilite a participação de artistas de outros estados, residências, intercâmbios, para a discussão, troca e uma maior conscientização do papel da dança na sociedade?

2. Bolsas de estudos para bailarinos clássicos

É possível pensarmos numa instância de concorrência pública para essas bolsas que beneficie outros interesses e gêneros de dança que não apenas o balé clássico? Que possibilite a elaboração de projetos de intercâmbio com diferentes objetivos? Qual a contrapartida desse investimento para a cidade? Ao possivelmente retornarem para Teresina, que tipo de mercado profissional esses bailarinos encontram para desenvolverem os conhecimentos adquiridos?

3. Lei Municipal de Incentivo à Cultura A. Tito filho e Lei Estadual de Incentivo à Cultura SIEC

Neste item identificamos uma urgência: é necessário que haja um percentual mínimo de projetos aprovados EXCLUSIVAMENTE para a dança. Existe uma hegemonia de aprovação de projetos para música e literatura. A aprovação de dois ou três projetos de dança é realmente proporcional à realidade de nossa atuação de dança no município?!

Foi possível observar que nossas reflexões e necessidades estão alinhadas às deliberações presentes no Plano Nacional de Dança-PND, como:

2.1.6 Elaborar uma lei específica de fomento à dança.

3.3.6 Criar editais para o fomento de programas não-formais de ensino continuado em dança.

3.5.2 Fomentar a realização de mostras de dança amadora de caráter não-competitivo.

4.1.3 Estabelecer políticas transparentes e democráticas para ocupação dos teatros públicos.

(Plano Nacional de Dança)

Outro exemplo de caráter nacional diz respeito à aprovação da emenda constitucional PEC 150/2003. Ela determina que anualmente 2% do orçamento federal, 1,5% dos estados e 1% dos municípios, advindos de receitas resultantes de impostos, sejam aplicados DIRETAMENTE na cultura.

“A cultura deixa de ser um mundo isolado e passa a ser sujeito de grandes medidas estruturantes, que ampliam seu consenso na cabeça da sociedade brasileira.”

Alfredo Manevy

Ex-Secretário Executivo do Ministério da Cultura

Plano Setorial de Dança (pg.03)

Temos ciência de que a aparelhagem pública, em se tratando do nosso estado e município, sofre de um intenso sucateamento, possuindo uma representação política enfraquecida por vários fatores (falta de concurso público para renovação de funcionários, o fato de serem fundações ao invés de secretarias). Sabemos também que mudanças profundas e significativas são lentas e gradativas.

É preciso também esclarecer que nosso interesse NÃO é o de nos colocar em postura de terrorismo e ataque às fundações e menos ainda a de estabelecermos a tão viciosa relação de pedintes esfomeados por uma atenção pública. Estamos aqui reivindicando por uma interlocução e participação nas decisões políticas que nos dizem respeito e que nos atingem em diferentes níveis. É direito nosso!

1.1.2 Estimular a apresentação pública de planejamentos para a dança, a curto, médio e longo prazo, nos diversos órgãos responsáveis pelas políticas públicas para a área, nos âmbitos federal, estadual, distrital e municipal. (Plano Nacional de Dança)

Reitero que essa carta não é uma colocação pessoal. Ela é uma manifestação de uma classe artística interessada em discutir questões públicas relacionadas à sua atuação política.

Para nós é de total relevância que nossos representantes públicos, ausentes neste encontro, se pronunciem publicamente sobre nossa iniciativa e também compareçam ou sejam representados em nossa próxima reunião. Ela acontecerá no dia 28 de maio (segunda-feira), no Balé de Teresina* às 9 da manhã.

Enfatizamos que o encontro é ABERTO a todos os interessados em discutir e mobilizar-se por essas questões.

Atenciosamente,

Elielson Pacheco

Bailarino do Núcleo do Dirceu

 

“Dança é o que impede o movimento de morrer de clichê”

UM, DOIS, TRÊS, a dança é o pensamento do corpo

Helena Katz

 

*Endereço: Rua Félix Pacheco, 1296 Centro

Os cariocas não têm do que reclamar nesse final de semana!

Além da diversidade de espetáculos recém-estreados na cidade, os residentes do Rio de Janeiro podem ainda desfrutar de oficinas gratuitas.

Na sexta feira (18/mai), de 9h às 11h, o Centro Coreográfico oferece a oficina gratuita “Dança Contemporânea, Composição Coreográfica e Aikishintaiso”, com Monica Casadei. As inscrições vão até às 18h do dia 17/mai (qui) e devem ser feitas através do formulário disponível no site do CCoRJ.

No sábado (19/mai), o espaço Jaguadarte oferece um aulão de Alongamento e Consciência Corporal com Isa Bezencry, de 9h às 10h, e logo depois uma demonstração da aula de Shintaido com Clélie Dudon. Maiores informações seguem no flyer abaixo:

[Diretores do festival Dança em Foco - dentre eles, Regina Levy / crédito: flickr.com/fotos/dancaemfoco]

A Cinédia Cena Criativa acolhe em todas as terças-feiras de junho (a partir do dia 5) um curso de elaboração de projetos culturais com Regina Levy. Regina é especialmente reconhecida na área de dança pelo seu trabalho como diretora de produção do Dança em Foco, festival dedicado às interfaces entre dança, cinema e vídeo.

No curso, serão abordadas, por exemplo, questões em torno de patrocínio, leis de incentivo à cultura e inscrição em editais. O valor do investimento é de R$300.

Para mais informações, entrem em contato com a Cinédia através do e-mail cinediacenacriativa@gmail.com ou do telefone (21)2221-2633.

A Cinédia Cena Criativa fica na Rua Santa Cristina, 5 – Glória – Rio de Janeiro.

[Fernando Klipel, Alice Ripoll e os bailarinos da Cia. R.E.C. / foto: divulgação]

Uma das coreógrafas contempladas com o FADA 2011 – Fundo de Apoio à Dança (SMC-RJ) – Alice Ripoll realizou uma circulação de dois espetáculos no Rio de Janeiro. Que as saídas sejam múltiplas, em parceria com Fernando Klipel, e Cornaca, com a Cia. R.E.C. (Reação em Cadeia) foram apresentados num programa duplo e integrado, sem intervalos.

André Bern, colaborador deste blog, conferiu uma das apresentações da circulação (no Centro Coreográfico do Rio de Janeiro) e propôs a Alice uma breve entrevista via e-mail. A troca de mensagens entre os dois está embaixo, na íntegra. Monica da Costa, outra colaboradora do ctrl+alt+dança, também participou, sugerindo tópicos a serem abordados na conversa.

André Bern – O que está em jogo quando você decide apresentar os dois trabalhos um após o outro, sem intervalo, num programa único?

Alice Ripoll – Acredito que os dois trabalhos juntos estabelecem um diálogo, tanto na linguagem de movimento quanto na temática. Em cada um podemos perceber a contribuição das diferentes parcerias, de direção e interpretação. Achamos que o intervalo não seria necessário, a transição de um trabalho para o outro se dá de uma forma natural.

AB – Fale mais sobre esse diálogo tanto em termos de linguagem de movimento quanto de temática.

AR – Quando começamos a criar o “Cornaca” estávamos finalizando o processo do “Que as saídas…”, no qual a Juliana [Medella] também participou, como ensaiadora. Inclusive, a primeira vez que fizemos o trabalho fora da sala de ensaio foi uma apresentação pros meninos do R.E.C., que na época eram alunos da Juliana no PróSaber [ONG]. Eles foram as primeiras pessoas que viram. Então, a pesquisa de movimento – de contato, encaixes corporais -  estava muito viva em nós, diretoras, na época da criação do “Cornaca”. E cada corpo responde de formas muito diferentes a este tipo de trabalho; aí entra a identidade de cada trabalho. Por exemplo, tem um duo no “Cornaca” em que dois bailarinos pesquisam, através do contato, a linguagem do “King Tut”, que é uma técnica dentro do hip hop. E no que diz respeito a temática, o contato acaba remetendo às relações humanas, que são exploradas de forma diferente em cada trabalho, mas estão presente nos dois.

AB – Como “Que as saídas…” tem se desenhado a partir de cada apresentação, de cada plateia? Que mudanças, alterações, transformações, o trabalho vem incorporando ao longo de sua trajetória? A parceria com Fernando Klipel produziu outros desdobramentos além deste trabalho?

AR – Bom, vou responder de acordo com a minha percepção. Talvez o meu parceiro Fernando Klipel pense diferente. Eu não observo uma grande interferência da platéia neste trabalho, pois ele acontece dentro de um universo de profunda conexão entre nós, os intérpretes. O trabalho se desenvolve exatamente neste ponto, uma vez que absolutamente todos os movimentos se dão através do contato: em cada passo, cada gesto, dependemos um do outro, construímos tudo juntos. Então no momento da cena, essa parceria é o que mais se faz notar para mim. O trabalho não sofreu nenhuma grande alteração desde que foi criado. O que transforma é o fato de a cada repetição nossos corpos estarem mais “conhecidos”, e isso influencia o fluxo e nos proporciona liberdade para brincar com velocidades, pequenas surpresas e sensações novas. A nossa parceria ainda não produziu outros desdobramentos.

AB – Você diz que a cada repetição seus corpos se tornam mais “conhecidos”. Em que medida isso também poderia funcionar “contra” o trabalho?

AR – O fato da intimidade entre os corpos aumentar, a meu ver, só contribui neste trabalho. Mas existe um mistério em torno da repetição; acho que todos que trabalham com dança já passaram por isso. Às vezes ficamos um tempo sem ensaiar o trabalho, e de primeira ele sai maravilhoso. Outras vezes precisamos repetir exaustivamente para que esta sintonia apareça. Porque essa sintonia se dá também em outros níveis de conexão, mais sutis, que estão fora do nosso controle.

AB – Como aconteceu o encontro com os bailarinos de “Cornaca”? O que os leva (você, Juliana Medella e eles) a assinar como Cia. R.E.C. (Reação em Cadeia)?

AR – Tudo começou há uns cinco anos, quando a Juliana Medella foi convidada pelo Instituto PróSaber a dar aulas de dança contemporânea para uma turma de jovens. Depois, a convite da Juliana, eu entrei no projeto para dar aulas de videodança. Em 2009, nos desvinculamos da ONG e nos tornamos um grupo independente – R.E.C. – e criamos o trabalho “Cornaca”.

AB – Como vocês se organizam internamente enquanto companhia? Como lidam com as possíveis hierarquias: de quem cria, executa, assina? Como dialogam as diferentes formações, expressões e genealogias: a dança de rua e a dança acadêmica, a Zona Sul e o subúrbio, a afro-descendência e a euro-descendência? Que estranhamentos tensões e fertilidades emergem?

AR – No caso da criação do trabalho “Cornaca”, eu e a Juliana fazíamos proposições de improvisos e os bailarinos criavam a movimentação. Depois nós íamos limpando as cenas, selecionando, etc. As decisões sobre a maneira de funcionar do grupo (como quantidade de ensaios, as apresentações que fazemos) têm sido tomadas coletivamente. As diferentes formações contribuem para que o nosso encontro seja bem criativo; inclusive, um dos nossos desejos para o próximo trabalho é justamente se aprofundar nas qualidades de movimento e interesses específicos de cada um, uma vez que o “Cornaca” foi um processo construído muito em cima do grupo, isto é, do que podemos fazer juntos. Acredito que qualquer diferença sempre tem a somar, fazer com que a gente conheça novas pessoas, novos estilos de dança, novos lugares.

AB – O que o encontro com cada contexto, com Fernando Klipel e com os bailarinos da Cia. R.E.C., promove? Como a sua dança contemporânea se constrói a partir desses encaixes, parcerias?

AR – Os dois encontros são parcerias muito importantes pra mim, onde eu me desenvolvo e experimento possibilidades criativas. São uma grande fonte de aprendizagem. No encontro com o Fernando, a criação fluiu de uma forma muito leve. Nós tivemos um entendimento corporal imediato e a linguagem do trabalho foi se desenvolvendo espontaneamente. Foi e ainda é um encontro onde sigo me desenvolvendo como intérprete, e juntos vamos descobrindo novas maneiras de estar em cena. Com os bailarinos do R.E.C. exercito constantemente o meu olhar de fora, de como perceber e instigar em cada um as suas possibilidades expressivas e de se movimentar. Como estamos em constante transformação, e estamos atentos a isso, este trabalho não acaba nunca.

Para quem ainda não conferiu os espetáculos, aí vai uma dica: o programa duplo integrará a ocupação do Teatro Cacilda Becker (RJ) – Dança pra Cacilda – e será apresentado entre 18-20/mai e 25-27/mai.

[Bailarinos em Tudo que não invento é falso / crédito: Luisa Marinho]

“Foi num palco sem pernas ou braços. Com um balanço talvez suspenso, atrás daquela moita, na lateral alta, esquerda, no fundo do peito do palco. Linóleo em segredo branco, na branca intimidade. Lá os rios eram verbais porque escreviam torto como se fossem curvas de uma cobra. Porque se botavam em movimento.”

Eis um trecho compartilhado por Paula Maracajá (“estudos para roteiro em Manoel de Barros”), diretora de Tudo que não invento é falso, na página do espetáculo no Facebook. Sim, trata-se de um espetáculo de dança inspirado no universo do autor Manoel de Barros, especificamente no livro “Memórias inventadas: as infâncias de Manoel de Barros”.

Quem quiser embarcar nessa viagem poética, deve correr. O trabalho só fica em cartaz até 20/mai – ou seja, só há mais 4 apresentações (incluindo a que vai começar daqui a pouco às 15h)!

Onde? No Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ), sempre aos sábados e domingos, às 15h.

Ah, mais uma coisa: dá pra comprar via Ingresso Rápido. Clique aqui e saiba mais!

Estreia amanhã (12/mai) a peça de Zeca Ligiéro, “O Evangelho segundo Dona Zefa”, com Marise Nogueira, os musicos Chiquinho Rota e Rachel Souza, e música de Edu Krieger. Abrindo as portas da programação do Núcleo de Estudos de Performances Afro-Ameríndias (NEPAA/UNIRIO), Dona Zefa, como já está apelidada a peça, estará em cartaz no Parque das Ruínas até 10/jun – de sexta a domingo, sempre às 19h.

No leque das atividades do NEPAA iniciou hoje o curso “Outro Teatro”, de Zeca Ligiero, sobre o impacto das tradições da Ásia, Africa e Américas sobre os grandes encenadores do século XX. Inclui leituras, discussão de textos e exibição de vídeos dos trabalhos desses encenadores. O curso é realizado nas sextas e sábados, de 10h às 13h, no NEPAA até 30/jun.

E no caminho ainda temos o Grupo Sotz’il, da Guatemala, em maio; e, finalizando, a presença de Richard Schechner em 20 e 30/jun, com palestra, oficinas e lançamento do livro “Performance e Antropologia”, organizado por Zeca Ligiero. Haverá também uma mostra de performance e dança, com trabalhos de Denise Zenicola, Juliana Manhães e Monica da Costa (colaboradora aqui no blog).

Para conferir a programação completa, saber mais sobre o NEPAA e acompanhar as atividades até junho, clique aqui para acessar o folder deste primeiro semestre. Toda primeira sexta-feira do mês temos um encontro aberto, às 18h, com performances e/ou exibição de vídeos, quitutes e bons bate-papos.

Aproveitem!

Abraços, bom fim de semana e não percam a oportunidade de conhecer Dona Zefa!!!

Esta é uma semana concorrida para quem estiver no Rio de Janeiro! Esther Weitzman e sua companhia estreiam O Tempo do Meio, enquanto Denise Stutz e Teatro Xirê reapresentam espetáculos – Esther Williams Não Quer Mais Nadar e Justo Uma Imagem, respectivamente.

[Peter Mark, Mônnica Emilio e Vandré Vitorino em O Tempo do Meio / crédito: Renato Mangolin]

O Tempo do Meio é um espetáculo de comemoração dos 13 anos da Esther Weitzman Companhia de Dança. Em cena, os bailarinos Mônnica Emilio, Frederico Paredes, Alexandre Bhering, Peter Mark e Vandré Vitorino interpretam as implicações, desdobramentos e conflitos da relação humana com o tempo. Com estreia amanhã (10/mai), as apresentações seguem até 3/jun, no Espaço SESC (Mezanino).

Para quem está curioso, aqui embaixo tem um teaser do espetáculo:

Denise Stutz volta aos palcos com Justo Uma Imagem, espetáculo em parceria com Felipe Ribeiro, que propõe um diálogo entre dança e cinema. Segundo ela mesma postou em seu perfil no Facebook, “o projeto é uma releitura do trabalho que já foi solo, já foi duo, e agora tem o olhar e a direção do Felipe Ribeiro”.

O trabalho entrou em cartaz hoje (9/mai) e a temporada segue até o final do mês no Teatro Glaucio Gill, em Copacabana.

Aqui embaixo, compartilhamos um vídeo produzido pelo Festival Panorama, quando o espetáculo integrou a edição de 2009 numa versão preliminar:

Finalmente – nesta postagem bem grande! – ainda temos novas apresentações de Esther Williams Não Quer Mais Nadar, do Teatro Xirê. O espetáculo, um solo de Andrea Elias, estreou esse ano no Teatro Cacilda Becker, e agora ganha uma temporada no SESC Tijuca. Ao utilizar-se da atriz-nadadora como metáfora, o trabalho apresenta um híbrido de teatro, dança e performance.

E para terminar, compartilhamos alguns trechos do espetáculo, cuja temporada começa amanhã (10/mai) e segue até o dia 20:

Será que a gente se esbarra em algumas das apresentações?!

Inté!!!

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