[Bailarinos em Tudo que não invento é falso / crédito: Luisa Marinho]
“Foi num palco sem pernas ou braços. Com um balanço talvez suspenso, atrás daquela moita, na lateral alta, esquerda, no fundo do peito do palco. Linóleo em segredo branco, na branca intimidade. Lá os rios eram verbais porque escreviam torto como se fossem curvas de uma cobra. Porque se botavam em movimento.”
Eis um trecho compartilhado por Paula Maracajá (“estudos para roteiro em Manoel de Barros”), diretora de Tudo que não invento é falso, na página do espetáculo no Facebook. Sim, trata-se de um espetáculo de dança inspirado no universo do autor Manoel de Barros, especificamente no livro “Memórias inventadas: as infâncias de Manoel de Barros”.
Quem quiser embarcar nessa viagem poética, deve correr. O trabalho só fica em cartaz até 20/mai – ou seja, só há mais 4 apresentações (incluindo a que vai começar daqui a pouco às 15h)!
Onde? No Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ), sempre aos sábados e domingos, às 15h.
Ah, mais uma coisa: dá pra comprar via Ingresso Rápido. Clique aqui e saiba mais!
O Festival Panorama começa hoje!André Bern, colaborador deste blog, integrará o festival como membro da oficina “grid_lab”, sobre o uso de novas mídias e redes sociais para a difusão de artistas e suas iniciativas. A oficina é coordenada por Marlon Barrios Solano (dance-tech.net) em parceria com Paula Gorini, e fará a cobertura do festival.
Acompanhe notícias fresquinhas sobre o Panorama via Twitter e Facebook!
Quer saber como ganhar 04 ingressos para assistir a Cia. Étnica no Teatro Dulcina com seus amigos? É simples!
Basta acessar e curtir a página da Cia. Étnica no facebook (facebook.com/Cia.Etnica) e responder a pergunta: “Qual a lembrança que nunca vai sair da sua MEMÓRIA?”
As 2 respostas mais criativas e que receberem o maior número de “curtir” até o dia 30 de outubro, às 19 horas, levam pra casa 04 ingressos para assistir o Mix Memória no Teatro Dulcina.
Não perca a oportunidade de compartilhar uma boa lembrança com seus amigos! Participe, curta e ganhe!
Enquanto o vencedor não é anunciado, seguem duas fotos do espetáculo, clicadas por Rodolfo Lo Bianco:
Conforme publicado no site de notícias G1 (leia matéria aqui), a coreógrafa belga Anne Teresa de Keersmaeker acusa Beyoncé de plagiar trechos de alguns de seus trabalhos, em especial o já considerado clássico “Rosas danst Rosas”, no clipe da música “Countdown”.
Abaixo, André Bern faz uma tradução livre do depoimento da coreógrafa. O mesmo foi publicado em inglês no site dance-tech.net.
“Como muitas pessoas, fiquei extremamente supresa quando recebi uma mensagem via Facebook sobre a presença especial de minhas duas coreografias – Rosas danst Rosas (1983) e Achterland (1990) - no novo clipe de Beyoncé, “Countdown”. Perguntaram-me se por acaso agora eu estava vendendo o Rosas para o circuito comercial… Quando eu assisti, fiquei impressionada com a semelhança do clipe de Beyoncé não apenas em relação aos movimentos de Rosas danst Rosas, mas também com os figurinos, o cenário e até mesmo trechos do filme de Thierry de Mey. Obviamente, Beyoncé, ou o diretor do clipe, Adria Petty, copiou muitas partes das cenas originais dos trabalhos. O vídeo feito pelo Studio Brussel [veja acima], justapondo o clipe de Beyoncé e o filme de Rosas danst Rosas, fornece alguns exemplos.
Entretanto, o vídeo do Studio Brussel está longe de mostrar todos os materiais que Beyoncé roubou do Rosas para a criação de seu clipe “Countdown”. Há muitos movimentos tirados de Achterland, que são menos visíveis por causa da diferença estética.
As pessoas têm me perguntado se estou com raiva ou me sentindo honrada. Nenhuma das duas coisas. Por outro lado, fico feliz pelo fato de que Rosas danst Rosas pode alcançar uma audiência em massa que um trabalho de dança como ele jamais conseguiria, apesar de sua popularidade no mundo da dança desde a década de 80. Além disso, Beyoncé não fez uma das piores cópias: ela canta e dança muito bem, e tem bom gosto! No entanto, há protocolos e essas ações geram consequências. Tenho certeza de que ela e sua equipe estão conscientes disso.
Para concluir, não fiquei brava com o que aconteceu; pelo contrário, isso me fez pensar algumas coisas. Por exemplo: por que demora trinta anos para a cultura popular reconhecer um trabalho experimental em dança? Meses atrás, vi no YouTube um vídeo onde algumas estudantes em Flandres [norte da Bélgica] dançam Rosas danst Rosas com “Like a virgin”, de Madonna, ao fundo. Aquilo foi tocante. Mas com relação à cultura pop global é diferente. Isso significa que trinta anos é o quanto se leva para reciclar uma performance experimental que não faz parte do “mainstream”?
E o que essa “reciclagem” diz sobre Rosas danst Rosas? Nos anos 80, o trabalho foi visto como uma afirmação do “girl power”, que se baseava em assumir uma postura deliberadamente feminina no que diz respeito à expressão sexual. Perguntaram-me muitas vezes se o trabalho era feminista. Agora, vendo Beyoncé dançá-lo, acho agradável, mas não me parece ultrapassar nenhum limite. Fica sedutor e entretém de maneira consumista.
Além das semelhanças, há outra coincidência engraçada. Todos me disseram que ela está dançando com quatro meses de gravidez. Em 1996, quando o filme do De Mey foi criado, eu estava grávida de meu segundo filho. Então, gostaria de desejar que ela tenha a mesma felicidade que minha filha me trouxe.”