Arquivos

Arquivo da tag: Manifesta!

ctrl+alt+dança tem apenas três meses de atividades, mas os acessos ao blog só aumentam a cada novo post. Abaixo, segue uma lista dos 5 mais visitados: um agradecimento ao carinho e torcida de cada um de vocês, nossos leitores-colaboradores!

1o. lugar: a última semana de sem o que você não pode viver? e a entrevista com a coreógrafa Ivana Menna Barreto!

2o. lugar: a crítica à matéria do Segundo Caderno do jornal O Globo sobre o projeto de ocupação do Teatro Cacilda Becker (RJ), Manifesta!, escrita por André Bern!

3o. lugar: a republicação da crítica de Gabriela Alcofra sobre Des témoins ordinaires, de Rachid Ouramdane!

4o. lugar: as estreias dos novos trabalhos de André Bern e Amalia Herrera na semana pós-Festival Panorama no Rio de Janeiro!

5o. lugar: a apresentação de Monica da Costa no seminário promovido pela especialização em Educação e Contemporaneidade do CEFET-Nova Friburgo!

[Fábio Honório, Monica da Costa, André Bern e Aluisio Flores]

Ontem, numa padaria em Botafogo, os artistas do espetáculo senha de acesso se reuniram para comemorar a concretização do projeto, e num clima de retrospectiva falaram sobre os espetáculos e performances que mais chamaram sua atenção ao longo de 2011:

Margô Assis (MG) - LIVRO (apresentado na Bienal SESC de Dança – Santos / SP) 

[crédito da foto: Eugênio P. Horta]

André Bern: “Lindo… Parece uma contação de histórias! Um belo encontro entre dança e artes visuais.”

João Rafael Neto (BA) – BOLERO DE 4 (apresentado na Bienal SESC de Dança – Santos / SP)

[fonte: salvadorpraja.com.br]

AB: “Entre dança e esporte… muito bonito! Tem a trilha, o Bolero de Ravel, a praça vira um lago… Rafael é um cisne de rodas!”

Naiá Delion (RJ) – USE O ASSENTO PARA FLUTUAR (apresentado no Espaço SESC Copacabana)

[fonte: fundacaocasagrande.org.br]

AB: “Muito peculiar… único! É uma artista nova chegando e dizendo alguma coisa… as imagens que ela constrói são muito potentes.”

Cia. GiraDança (RN) – PEQUENAS LEMBRANÇAS (apresentado no Festival Brasil Move Berlim)

[fonte: giradanca.com.br]

Monica da Costa: “Fiquei muito tocada… tinha uma cena muito sutil, que se relacionava com a experiência de um dos bailarinos. Ele foi baleado e ficou paraplégico. Era uma presença tão forte!”

Panaíbra Gabriel (Moçambique) & Boyzie Cekwana (África do Sul) – INKOMATI (DIS)CORD (apresentado no Festival Panorama)

[crédito da foto: Christian Altofer]

MC: “Eles conseguiram criar uma atmosfera ali, com questões muito delicadas, como a relação de fronteira entre os países da África. Eu destacaria a cena do “telefone sem fio”… O trabalho todo tem uma corporeidade negra muito presente, nos cantos, nos gestos…”

Taoufiq Izeddiou (Marrocos) – AALÉEF (apresentado no Festival Panorama)

[crédito da foto: Dimitri Tsiapkinis]

MC: “Uau!”

AB: “Também incluí esse na minha lista… muito interessante a maneira como ele aborda algumas questões da globalização.”

João Saldanha (RJ) – QUALQUER COISA A GENTE MUDA (apresentado no Festival Panorama)

[crédito da foto: Renato Mangolin]

Aluisio Flores: “No sentido de uma homenagem, foi um encontro super bacana. Um contraponto entre Angel Vianna e Maria Alice Poppe. Um caminho a seguir.”

João Saldanha (RJ) – NÚCLEOS (apresentado no Espaço SESC Copacabana)

[fonte: wikidanca.net]

AF: “Completamente diferente do trabalho com a Angel Vianna… coloca o homem e a mulher numa posição muito questionadora, do que está por vir. Gostei bastante!”

Focus Cia. de Dança (RJ) – AS CANÇÕES QUE VOCÊ DANÇOU PARA MIM (apresentado no Espaço SESC Copacabana)

                                                                      [fonte: jb.com.br]

AF: “Muito talentoso o Alex! Ele tem um conhecimento de movimento… de um movimento dele mesmo, que ele criou, assinou… e tem as músicas do Roberto Carlos, as relações entre homem e mulher, das mais variadas maneiras… Gostei muito do visual das cadeiras de acrílico, do figurino de época!”

MANIFESTA! (projeto de ocupação do Teatro Cacilda Becker (RJ))

[fonte: gustavociriaco.blogspot.com]

AF: “Uma manifestação de um entendimento do dançar!”

Grupo Cena 11 Cia. de Dança (SC) – GUIA DE IDEIAS CORRELATAS (apresentado no Festival Panorama)

[crédito da foto: Cristiano Prim]

Fábio Honório: “Nunca tinha visto uma aula-espetáculo antes! Foi uma oportunidade de conferir como é o pensamento do Alejandro [Ahmed, coreógrafo da companhia] sobre corpo, movimento. A estética, a linha de pesquisa dele estava ali, nos textos, nas projeções, nos trechos das coreografias ao vivo e em vídeo. Foi bacana ele ter feito um panorama das criações da companhia.”

Em programa duplo com Puente… Em construção (para saber mais, clique aqui), o Coletivo Pague Leve apresenta sua Trilogia cênica, o dia em que virei um nome, na ocupação do Teatro Cacilda Becker (RJ), Manifesta! Hoje e amanhã (sex e sáb), a partir das 19h!

Sobre a apresentação, Morena Paiva, Italmar Vasconcellos e Marina Pachecco escrevem:

“Onde está o movimento de sua vida? Você já anda todo dia… o que custa andar mais um pouco para onde está um possível movimento de encontrar consigo mesmo e com a dança em sua vida? Proponho a você um encontro do MOVIMENTO e SEU CORPO num ambiente leve e de interação coletiva, criativa e franca. Mas há um problema… dois corpos não ocupam o mesmo espaço… e pra piorar, tem corpos que tendem à instabilidade de si mesmos e não só do espaço, mas no pensamento comunitário… a esses corpos a eólica auto-deteriorização é clara. No mundo, tudo tem contrastes.”

Os ingressos para o programa duplo custam R$10 (inteira) e R$5 (meia). O Teatro Cacilda Becker fica na Rua do Catete, 338 (próximo ao metrô Largo do Machado).

O Festival Panorama termina neste domingo, mas a cena de dança contemporânea no Rio de Janeiro continua ativa com a estreia de dois espetáculos: senha de acesso, com direção e coreografia de André Bern, e Puente… Em construção, de Amalia Herrera.

Criado através da parceria entre os artistas André Bern, Aluisio Flores, Monica da Costa e Fábio Honório, senha de acesso é fruto de uma investigação sobre a relação entre corpo e memória, que levou os bailarinos a fazer experimentos coreográficos nas ruas da Tijuca e da Gávea durante o processo de pesquisa. André explica que a memória não é o tema do trabalho, mas sim um estopim, o ponto de partida da criação. “Quem poderá falar dos possíveis temas com mais propriedade vai ser o público”.

E por falar em público, o espetáculo tem entrada franca, mas quem estiver interessado em conferir as apresentações deve se adiantar, pois cada sessão receberá apenas 30 pessoas. “Trata-se de um trabalho para ser visto de perto, então não faz sentido apresentar para uma plateia enorme. Estamos cuidando para que o público tenha uma experiência interessante”, explica André.

senha de acesso, espetáculo patrocinado pela Secretaria de Estado de Cultura, conta com a orientação da coreógrafa Esther Weitzman e terá suas apresentações de estreia entre os dias 23 e 26 de novembro. Confira o flyer abaixo:

Puente… Em construção foi concebido colaborativamente entre Amalia Herrera, Vívian Vieira e Ignacio Aldunate e integra a programação do projeto de ocupação do Teatro Cacilda Becker, o Manifesta! Sobre o espetáculo, Amalia escreve:

“Aparentemente as estruturas fixas, os lugares que pisamos, em que nos estabelecemos, que tocamos e sentimos, são tomados por nós como lugares construídos. Acontece o mesmo com os lugares pelos quais passamos quando dançamos? São mais frágeis, mais permanentes? Por que, e de que móvel maneira estes lugares estão e ficam em uma imagem interna, na vivência compartilhada de quem os habitou, vestiu, presenciou, atravessou? E esta imagem: não permanece também como uma estrutura interna percebida como fixa, assim como quando vemos infinitas vezes a mesma ponte? Pedras para uma possível construção mais sólida. Uma ponte com as mãos, um presente, um desejo de atravessar a parede que não é fixa: um tempo que está aí mostrando que não há início nem fim, que o que está na cena é o “entre”.”

Puente… Em construção fica em cartaz nos dias 25, 26 e 27 de novembro, conforme o flyer abaixo:

Por pouco não teria lido a breve matéria sobre Manifesta! (acima), projeto de ocupação do Teatro Cacilda Becker (RJ) (equivocadamente chamado de “festival”), publicada no Segundo Caderno do jornal O Globo na terça-feira passada. Aluisio Flores, parceiro de criação, não me deixou perder essa oportunidade.

Parte da coluna Gente Boa, de Joaquim Ferreira dos Santos, a matéria intitulada “Não é para entender” junta-se ao coro daqueles que repudiam a dança contemporânea na medida em que esta nem sempre se apresenta transparente em suas referências e códigos. Ou seja, persiste aquela velha e gasta noção de que trabalhos artísticos contemporâneos são necessariamente “experimentais”, sinônimos de superficialidade, falta de qualidade e acabamento, ou de inacessibilidade. Em linguagem mais popular, “coisa de maluco” ou “isso até meu filho de 2 anos faz!”.

Bem, nada disso é novidade, mas o fato é que, ao invés de estimular o debate, a matéria revela uma posição claramente sarcástica e de rechaço à dança contemporânea, às manifestações de arte “menos previsíveis”. Estas aspas, inclusive, aludem à uma suposta previsibilidade defendida pelo texto em questão: a de que a dança contemporânea não raro é incompreensível, uma falha imperdoável.

Não menos previsível, infelizmente, é o tom do texto. Idiotizante, refere-se aos possíveis membros da plateia como “amiguinhos” e debocha das explicações “excessivamente filosóficas” dos artistas. Fato é que, depois de um escândalo em maio de 2008, provocado por outra coluna (de Artur Xexéo, na revista de domingo do mesmo jornal), a dança contemporânea tem ganhado cada vez menos destaque no Segundo Caderno. Dança, desde então, resume-se frequentemente a espetáculos de companhias estrangeiras em passagem pela cidade, balé, ou apresentações e estreias das criações de Deborah Colker (pivô da comoção de 2008).

Outro exemplo de matéria controversa foi a capa do Segundo Caderno publicada em 7 de março deste ano, que, entre outras coisas, afirmava que poucos nomes surgiram na cena da dança carioca após a década de 90. Mais indignação por parte de alguns artistas e, em consequência, a reunião do Movimento Dança Carioca.

Mas a pergunta que não quer calar mesmo é a seguinte: por que usar o espaço do Caderno – tão caro e de tamanha visibilidade – para publicar um texto que não propõe nada além de desqualificar um evento de maneira desrespeitosa e pouco fundamentada?

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 846 other followers