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Arquivo da tag: Monica da Costa

Criado em 2009, Corpo d’Água, espetáculo solo de Monica da Costa (colaboradora deste blog), se inspira na água como universo poético e mítico, enquanto elemento que toma corpo e corpo que se torna elemento.

A pesquisa de movimento se baseou no universo poético, sensorial e cinético da água, no mito de Oxum, orixá das águas doces; no debruçar sobre o próprio corpo e arquétipo em conjunto com a aprendizagem de suas lendas e fundamentos na tradição do candomblé; e na poesia do escritor brasileiro Manoel de Barros. O trabalho se teceu na relação entre corpo, palavra e sensorialidade, e na construção de uma corporeidade que se funda na sutileza, na liberdade, na memória e na natureza.

Pela água, o espetáculo aborda as metamorfoses, caminhos e resgates de um corpo no encontro com sua ancestralidade dentro da tradição afro-brasileira do candomblé. A coreografia e a música poetizam as qualidades de movimento e humores liquidos, evocando as sensações diversas do elemento em seus diferentes estados e forças. O espetáculo traz a inseparabilidade entre sagrado e profano, tradição e contemporaneidade, abstração e concretude.

Numa trajetória que inclui uma estreia no antigo Espaço Café Cultural (Rio de Janeiro) e passagens pelo SESC Pompeia (projeto Primeiro Passo, em São Paulo) e pelo Festival des Divinités Noires (em Lomé, Togo), Monica apresenta Corpo d’Água hoje à noite (às 18h), no Quarteirão Cultural do Pelourinho. Daqui a pouco, às 15h, ela oferece uma oficina de dança afro-contemporânea; e na segunda-feira (28/mai), participa da Roda de Dança (Casa do Benin), projeto do coreógrafo Elisio Pitta que pretende promover debates, reflexões e ações referentes à dança na cidade de Salvador.

Todas as atividades são gratuitas e abertas a todos os públicos. Mais informações seguem no flyer abaixo:

Dança pra Cacilda – projeto de ocupação do Teatro Cacilda Becker (RJ) – reedita em 2012 o programa Novíssimos (Festival Panorama), que continua se propondo a abrir espaço para uma nova geração de criadores de dança contemporânea. Nesta nova edição, os artistas selecionados são: André Bern, Gabriela Alcofra, Rafaeli Mattos, Fernanda Gomes, Luisa Coser, Paula Pi, Rodrigo Rivera e Fernando Martins.

André Bern e Gabriela Alcofra, ambos colaboradores deste blog, abrem a programação com seus solos: respectivamente, Passificadora, movimento.sem.face. Os dois solos vão compor um programa único, apresentados um após o outro nos dias 1, 2 e 3/jun (sex, sáb e dom). Na sexta-feira, excepcionalmente, haverá duas sessões: uma às 15h, e outra, às 20h. No sábado, André e Gabriela se apresentam às 20h; e no domingo, às 19h. Toda a programação é gratuita.

[André Bern em Passificadora / crédito: Marina Pachecco]

Passificadora é uma performance solo de André Bern, que integra o espetáculo “Senha de Acesso” (criado em colaboração com Monica da Costa, Aluisio Flores e Fábio Honório, com supervisão de Esther Weitzman). A performance parte de um jogo com as palavras “pacificar” e o neologismo “passificar” (que remetem ao surgimento e implementação das UPPs, Unidades de Polícia Pacificadora, no Rio de Janeiro) para abordar questões relacionadas à ocupação e transformação do corpo enquanto território, mídia e discurso.

A pesquisa para criação do espetáculo “Senha de Acesso”, que originou esta performance, foi patrocinada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da Secretaria de Estado de Cultura (SEC-RJ) – Apoio à Pesquisa e Criação Artística (Dança) 2010.

Passificadora conta com o apoio do Studio Casa de Pedra.

[Gabriela Alcofra em movimento.sem.face / crédito: Diana Sandes]

Apresentado em versão preliminar no Centro Coreográfico do Rio em março deste anomovimento.sem.face é uma parceria de Gabriela Alcofra (concepção e performance) e Camila Fersi (direção).

A pesquisa tem como cerne a contradição entre o que está revelado e o que está coberto. A imagem da utilização da burca pelas mulheres muçulmanas é referência desse choque de culturas e desejos. Dentro desse universo, a imagem de um corpo sem rosto foi revelada. O que é um corpo sem rosto?Tem identidade, tem história, tem força? O trabalho tem esse desafio: pesquisar no corpo essas imagens, elaborando uma dramaturgia para um corpo sem rosto.

movimento.sem.face conta com o apoio da Angel Vianna Escola e Faculdade, e Perffil Escola de Dança.

Para quem quiser conferir a programação dos Novíssimos, o Teatro Cacilda Becker fica na Rua do Catete, 338 (próximo ao metrô Largo do Machado) – Rio de Janeiro.

[Fernando Klipel, Alice Ripoll e os bailarinos da Cia. R.E.C. / foto: divulgação]

Uma das coreógrafas contempladas com o FADA 2011 – Fundo de Apoio à Dança (SMC-RJ) – Alice Ripoll realizou uma circulação de dois espetáculos no Rio de Janeiro. Que as saídas sejam múltiplas, em parceria com Fernando Klipel, e Cornaca, com a Cia. R.E.C. (Reação em Cadeia) foram apresentados num programa duplo e integrado, sem intervalos.

André Bern, colaborador deste blog, conferiu uma das apresentações da circulação (no Centro Coreográfico do Rio de Janeiro) e propôs a Alice uma breve entrevista via e-mail. A troca de mensagens entre os dois está embaixo, na íntegra. Monica da Costa, outra colaboradora do ctrl+alt+dança, também participou, sugerindo tópicos a serem abordados na conversa.

André Bern – O que está em jogo quando você decide apresentar os dois trabalhos um após o outro, sem intervalo, num programa único?

Alice Ripoll – Acredito que os dois trabalhos juntos estabelecem um diálogo, tanto na linguagem de movimento quanto na temática. Em cada um podemos perceber a contribuição das diferentes parcerias, de direção e interpretação. Achamos que o intervalo não seria necessário, a transição de um trabalho para o outro se dá de uma forma natural.

AB – Fale mais sobre esse diálogo tanto em termos de linguagem de movimento quanto de temática.

AR – Quando começamos a criar o “Cornaca” estávamos finalizando o processo do “Que as saídas…”, no qual a Juliana [Medella] também participou, como ensaiadora. Inclusive, a primeira vez que fizemos o trabalho fora da sala de ensaio foi uma apresentação pros meninos do R.E.C., que na época eram alunos da Juliana no PróSaber [ONG]. Eles foram as primeiras pessoas que viram. Então, a pesquisa de movimento – de contato, encaixes corporais -  estava muito viva em nós, diretoras, na época da criação do “Cornaca”. E cada corpo responde de formas muito diferentes a este tipo de trabalho; aí entra a identidade de cada trabalho. Por exemplo, tem um duo no “Cornaca” em que dois bailarinos pesquisam, através do contato, a linguagem do “King Tut”, que é uma técnica dentro do hip hop. E no que diz respeito a temática, o contato acaba remetendo às relações humanas, que são exploradas de forma diferente em cada trabalho, mas estão presente nos dois.

AB – Como “Que as saídas…” tem se desenhado a partir de cada apresentação, de cada plateia? Que mudanças, alterações, transformações, o trabalho vem incorporando ao longo de sua trajetória? A parceria com Fernando Klipel produziu outros desdobramentos além deste trabalho?

AR – Bom, vou responder de acordo com a minha percepção. Talvez o meu parceiro Fernando Klipel pense diferente. Eu não observo uma grande interferência da platéia neste trabalho, pois ele acontece dentro de um universo de profunda conexão entre nós, os intérpretes. O trabalho se desenvolve exatamente neste ponto, uma vez que absolutamente todos os movimentos se dão através do contato: em cada passo, cada gesto, dependemos um do outro, construímos tudo juntos. Então no momento da cena, essa parceria é o que mais se faz notar para mim. O trabalho não sofreu nenhuma grande alteração desde que foi criado. O que transforma é o fato de a cada repetição nossos corpos estarem mais “conhecidos”, e isso influencia o fluxo e nos proporciona liberdade para brincar com velocidades, pequenas surpresas e sensações novas. A nossa parceria ainda não produziu outros desdobramentos.

AB – Você diz que a cada repetição seus corpos se tornam mais “conhecidos”. Em que medida isso também poderia funcionar “contra” o trabalho?

AR – O fato da intimidade entre os corpos aumentar, a meu ver, só contribui neste trabalho. Mas existe um mistério em torno da repetição; acho que todos que trabalham com dança já passaram por isso. Às vezes ficamos um tempo sem ensaiar o trabalho, e de primeira ele sai maravilhoso. Outras vezes precisamos repetir exaustivamente para que esta sintonia apareça. Porque essa sintonia se dá também em outros níveis de conexão, mais sutis, que estão fora do nosso controle.

AB – Como aconteceu o encontro com os bailarinos de “Cornaca”? O que os leva (você, Juliana Medella e eles) a assinar como Cia. R.E.C. (Reação em Cadeia)?

AR – Tudo começou há uns cinco anos, quando a Juliana Medella foi convidada pelo Instituto PróSaber a dar aulas de dança contemporânea para uma turma de jovens. Depois, a convite da Juliana, eu entrei no projeto para dar aulas de videodança. Em 2009, nos desvinculamos da ONG e nos tornamos um grupo independente – R.E.C. – e criamos o trabalho “Cornaca”.

AB – Como vocês se organizam internamente enquanto companhia? Como lidam com as possíveis hierarquias: de quem cria, executa, assina? Como dialogam as diferentes formações, expressões e genealogias: a dança de rua e a dança acadêmica, a Zona Sul e o subúrbio, a afro-descendência e a euro-descendência? Que estranhamentos tensões e fertilidades emergem?

AR – No caso da criação do trabalho “Cornaca”, eu e a Juliana fazíamos proposições de improvisos e os bailarinos criavam a movimentação. Depois nós íamos limpando as cenas, selecionando, etc. As decisões sobre a maneira de funcionar do grupo (como quantidade de ensaios, as apresentações que fazemos) têm sido tomadas coletivamente. As diferentes formações contribuem para que o nosso encontro seja bem criativo; inclusive, um dos nossos desejos para o próximo trabalho é justamente se aprofundar nas qualidades de movimento e interesses específicos de cada um, uma vez que o “Cornaca” foi um processo construído muito em cima do grupo, isto é, do que podemos fazer juntos. Acredito que qualquer diferença sempre tem a somar, fazer com que a gente conheça novas pessoas, novos estilos de dança, novos lugares.

AB – O que o encontro com cada contexto, com Fernando Klipel e com os bailarinos da Cia. R.E.C., promove? Como a sua dança contemporânea se constrói a partir desses encaixes, parcerias?

AR – Os dois encontros são parcerias muito importantes pra mim, onde eu me desenvolvo e experimento possibilidades criativas. São uma grande fonte de aprendizagem. No encontro com o Fernando, a criação fluiu de uma forma muito leve. Nós tivemos um entendimento corporal imediato e a linguagem do trabalho foi se desenvolvendo espontaneamente. Foi e ainda é um encontro onde sigo me desenvolvendo como intérprete, e juntos vamos descobrindo novas maneiras de estar em cena. Com os bailarinos do R.E.C. exercito constantemente o meu olhar de fora, de como perceber e instigar em cada um as suas possibilidades expressivas e de se movimentar. Como estamos em constante transformação, e estamos atentos a isso, este trabalho não acaba nunca.

Para quem ainda não conferiu os espetáculos, aí vai uma dica: o programa duplo integrará a ocupação do Teatro Cacilda Becker (RJ) – Dança pra Cacilda – e será apresentado entre 18-20/mai e 25-27/mai.

Estreia amanhã (12/mai) a peça de Zeca Ligiéro, “O Evangelho segundo Dona Zefa”, com Marise Nogueira, os musicos Chiquinho Rota e Rachel Souza, e música de Edu Krieger. Abrindo as portas da programação do Núcleo de Estudos de Performances Afro-Ameríndias (NEPAA/UNIRIO), Dona Zefa, como já está apelidada a peça, estará em cartaz no Parque das Ruínas até 10/jun – de sexta a domingo, sempre às 19h.

No leque das atividades do NEPAA iniciou hoje o curso “Outro Teatro”, de Zeca Ligiero, sobre o impacto das tradições da Ásia, Africa e Américas sobre os grandes encenadores do século XX. Inclui leituras, discussão de textos e exibição de vídeos dos trabalhos desses encenadores. O curso é realizado nas sextas e sábados, de 10h às 13h, no NEPAA até 30/jun.

E no caminho ainda temos o Grupo Sotz’il, da Guatemala, em maio; e, finalizando, a presença de Richard Schechner em 20 e 30/jun, com palestra, oficinas e lançamento do livro “Performance e Antropologia”, organizado por Zeca Ligiero. Haverá também uma mostra de performance e dança, com trabalhos de Denise Zenicola, Juliana Manhães e Monica da Costa (colaboradora aqui no blog).

Para conferir a programação completa, saber mais sobre o NEPAA e acompanhar as atividades até junho, clique aqui para acessar o folder deste primeiro semestre. Toda primeira sexta-feira do mês temos um encontro aberto, às 18h, com performances e/ou exibição de vídeos, quitutes e bons bate-papos.

Aproveitem!

Abraços, bom fim de semana e não percam a oportunidade de conhecer Dona Zefa!!!

[Momento da assinatura do Protocolo por José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras / fonte: seppir.gov.br]

No dia 7/fev, artistas, integrantes do Movimento Negro e das Comunidades Tradicionais da Cultura e da Religião Afro-Brasileira estiveram presentes na Cerimônia de Celebração e Assinatura de Convênio e Protocolo de Intenções que busca o auxílio mútuo entre as instituições nas estratégias de combate ao racismo e promoção da igualdade racial.

Como integrante do terreiro de candomblé Ilê Axé Opó Afonjá, estive presente com um grupo que representou o Axé na Cerimônia. A noite contou com um coquetel seguido de uma mesa, com a presença da Ialorixá Mãe Beata, o Presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, e a Ministra da SEPPIR (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), Luiza Bairros. Estavam presentes personalidades importantes da arte negra como Rubens Barbot, Zózimo Bulbul, Milton Santos, dentre outros.

Não ficou claro, contudo, o processo de elaboração do Protocolo e a existência ou não de consulta à classe artística e ao Movimento Negro neste processo. De todo modo, o Protocolo estabelece um marco, uma iniciativa que pretende ter efeitos internos na Petrobras e suas políticas culturais, mas também se projetar para outras empresas e instituições.

Clique aqui para obter informações mais detalhadas sobre o evento e o Protocolo.

[Victor D'Olive em Repitologia / crédito da foto: Wagner Carvalho]

Na segunda semana do projeto Novos Criadores, dentro da programação do Rio Dança, o Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro apresenta o espetáculo Repitologia, de Victor D’Olive.

Conforme as palavras do próprio criador e performer, Repitologia é resultado de um estudo para um bailarino de um passo só e foi desenvolvido com apoio do projeto coLABoratório 2010, realizado no Panorama de Dança e no Núcleo do Dirceu, em parceria com Artsadmin, Alkantara, Garajstambul e Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro, além de possuir subvenção da União Européia.

Para nós, o espetáculo é uma realização ousada, inovadora, que em meio a boas gargalhadas convida o público a reflexões importantes que estão para além do universo da dança apenas, ao qual se referem à primeira vista. Repitologia é uma bela e divertida solução cênica para os problemas que o trabalho colaborativo, as relações de poder e a crítica discriminatória poderiam deixar como efeitos para o artista e para os sujeitos em geral.

A presença cênica especial do performer Victor D’Olive é também um ótimo encontro e promete deixar boas memórias para quem gosta de pessoas, de dança, de cena e de um pensamento criativo que caminha junto com uma boa dose de alegria. Além disso, Victor D’Olive faz parte de uma geração e de uma rede de novos criadores e coreógrafos que está dando duro para colocar sua assinatura e seu trabalho na cena contemporânea carioca de dança.

É o tipo de espetáculo que dá uma rasteira no público que já vai para o teatro pensando “Ai, tá bom, já vem essa dança contemporânea de novo”. Só para lembrar, o trabalho de Victor D’Olive foi uma das inspirações para a escrita do artigo de Monica da Costa, publicado aqui neste blog sob o título de “Estéticas do Oprimido em Diásporas e Repitologia.

Recomendamos e desejamos um bom espetáculo a todos!

Repitologia

Dias: 28 e 29 de janeiro
Horário: sábado às 19h e domingo às 17h
Gratuito
Senhas distribuidas 1 hora antes do início do espetáculo

Classificação livre

[Aline Oliveira, André Bern, Monica da Costa e Gabriela Alcofra na Fundição Progresso (RJ)]

Depois de um convite super casual via e-mail, a equipe carioca do blog (faltou nossa querida colaboradora baiana Iara Cerqueira) foi à Fundição Progresso gravar uma entrevista para a TV Brasil. Além de uma conversa sobre como se organiza a iniciativa no blog no dia-a-dia das postagens, cada artista/pesquisador pôde falar também sobre sua trajetória e projetos pessoais.

Vocês vão poder conferir o resultado em breve no quadro “Coletivo”, do programa Estúdio Móvel!

 

[André Bern, Aline Oliveira, Gabriela Alcofra e Monica da Costa - faltou a baiana Iara Cerqueira para completar a foto ;) ]

Hoje foi dia de encontro da equipe do blog: bate-papo sobre os próximos rumos, conversa fiada entre amigos, comemoraçãozinha de início de ano, um misto de tudo isso.

Entre as novidades e planos de postagens futuras, temos um canal de TV interessado em fazer uma entrevista conosco, Monica da Costa e sua conversa com o ícone da dança moderna Ismael Ivo, além de uma visita à oficina de Ana Paula Bouzas no Espaço SESC (RJ) já nesta semana.

Fiquem ligad@s e sempre à vontade para fazer sugestões e críticas!!!

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