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[Raíssa Ralola na performance Experimento Pele / foto: divulgação]

“Hei de lançar mão de meus riscos-superfícies bordados a cada (des)venturosa experiência. Daqui em diante trocarei de pele. Uma fina camada, que à beira de tornar-se dentro, revela-se como um novo fora a ser abandonado.” Assim, posicionam-se poeticamente Raíssa Ralola e Luisa Tavares a respeito de sua performance Experimento Pele, a ser apresentada hoje (23/mai), às 20h, na abertura da exposição Paisagem e Extremos (Galeria Candido Portinari / UERJ).

A performance foi criada em 2011 e levada a público em quatro diferentes ocasiões no mesmo ano. Aconteceu pela primeira vez na abertura da exposição coletiva Contrabando, no Rio de Janeiro em julho passado. Foi apresentada também no Festival Sem Paredes, promovido pelo Coletivo Fora do Eixo, em Juiz de Fora (MG); no 1º Festival Internacional de Performance Rio ao Vivo – Arte ao Vivo; e na exposição Múltiplos Olhares.

A exposição Paisagem e Extremos, que recebe Experimento Pele, reúne trabalhos de outros 16 artistas – entre eles, a nossa colaboradora Tatiana Klafke – todos alunos (e ex-alunos) do programa de mestrado em Artes da universidade. A curadoria é de Leila Danziger, Luiz Cláudio da Costa e Malu Fatorelli. Para mais informações, confiram o flyer abaixo:

 

Os cariocas não têm do que reclamar nesse final de semana!

Além da diversidade de espetáculos recém-estreados na cidade, os residentes do Rio de Janeiro podem ainda desfrutar de oficinas gratuitas.

Na sexta feira (18/mai), de 9h às 11h, o Centro Coreográfico oferece a oficina gratuita “Dança Contemporânea, Composição Coreográfica e Aikishintaiso”, com Monica Casadei. As inscrições vão até às 18h do dia 17/mai (qui) e devem ser feitas através do formulário disponível no site do CCoRJ.

No sábado (19/mai), o espaço Jaguadarte oferece um aulão de Alongamento e Consciência Corporal com Isa Bezencry, de 9h às 10h, e logo depois uma demonstração da aula de Shintaido com Clélie Dudon. Maiores informações seguem no flyer abaixo:

[Diretores do festival Dança em Foco - dentre eles, Regina Levy / crédito: flickr.com/fotos/dancaemfoco]

A Cinédia Cena Criativa acolhe em todas as terças-feiras de junho (a partir do dia 5) um curso de elaboração de projetos culturais com Regina Levy. Regina é especialmente reconhecida na área de dança pelo seu trabalho como diretora de produção do Dança em Foco, festival dedicado às interfaces entre dança, cinema e vídeo.

No curso, serão abordadas, por exemplo, questões em torno de patrocínio, leis de incentivo à cultura e inscrição em editais. O valor do investimento é de R$300.

Para mais informações, entrem em contato com a Cinédia através do e-mail cinediacenacriativa@gmail.com ou do telefone (21)2221-2633.

A Cinédia Cena Criativa fica na Rua Santa Cristina, 5 – Glória – Rio de Janeiro.

[Fernando Klipel, Alice Ripoll e os bailarinos da Cia. R.E.C. / foto: divulgação]

Uma das coreógrafas contempladas com o FADA 2011 – Fundo de Apoio à Dança (SMC-RJ) – Alice Ripoll realizou uma circulação de dois espetáculos no Rio de Janeiro. Que as saídas sejam múltiplas, em parceria com Fernando Klipel, e Cornaca, com a Cia. R.E.C. (Reação em Cadeia) foram apresentados num programa duplo e integrado, sem intervalos.

André Bern, colaborador deste blog, conferiu uma das apresentações da circulação (no Centro Coreográfico do Rio de Janeiro) e propôs a Alice uma breve entrevista via e-mail. A troca de mensagens entre os dois está embaixo, na íntegra. Monica da Costa, outra colaboradora do ctrl+alt+dança, também participou, sugerindo tópicos a serem abordados na conversa.

André Bern – O que está em jogo quando você decide apresentar os dois trabalhos um após o outro, sem intervalo, num programa único?

Alice Ripoll – Acredito que os dois trabalhos juntos estabelecem um diálogo, tanto na linguagem de movimento quanto na temática. Em cada um podemos perceber a contribuição das diferentes parcerias, de direção e interpretação. Achamos que o intervalo não seria necessário, a transição de um trabalho para o outro se dá de uma forma natural.

AB – Fale mais sobre esse diálogo tanto em termos de linguagem de movimento quanto de temática.

AR – Quando começamos a criar o “Cornaca” estávamos finalizando o processo do “Que as saídas…”, no qual a Juliana [Medella] também participou, como ensaiadora. Inclusive, a primeira vez que fizemos o trabalho fora da sala de ensaio foi uma apresentação pros meninos do R.E.C., que na época eram alunos da Juliana no PróSaber [ONG]. Eles foram as primeiras pessoas que viram. Então, a pesquisa de movimento – de contato, encaixes corporais -  estava muito viva em nós, diretoras, na época da criação do “Cornaca”. E cada corpo responde de formas muito diferentes a este tipo de trabalho; aí entra a identidade de cada trabalho. Por exemplo, tem um duo no “Cornaca” em que dois bailarinos pesquisam, através do contato, a linguagem do “King Tut”, que é uma técnica dentro do hip hop. E no que diz respeito a temática, o contato acaba remetendo às relações humanas, que são exploradas de forma diferente em cada trabalho, mas estão presente nos dois.

AB – Como “Que as saídas…” tem se desenhado a partir de cada apresentação, de cada plateia? Que mudanças, alterações, transformações, o trabalho vem incorporando ao longo de sua trajetória? A parceria com Fernando Klipel produziu outros desdobramentos além deste trabalho?

AR – Bom, vou responder de acordo com a minha percepção. Talvez o meu parceiro Fernando Klipel pense diferente. Eu não observo uma grande interferência da platéia neste trabalho, pois ele acontece dentro de um universo de profunda conexão entre nós, os intérpretes. O trabalho se desenvolve exatamente neste ponto, uma vez que absolutamente todos os movimentos se dão através do contato: em cada passo, cada gesto, dependemos um do outro, construímos tudo juntos. Então no momento da cena, essa parceria é o que mais se faz notar para mim. O trabalho não sofreu nenhuma grande alteração desde que foi criado. O que transforma é o fato de a cada repetição nossos corpos estarem mais “conhecidos”, e isso influencia o fluxo e nos proporciona liberdade para brincar com velocidades, pequenas surpresas e sensações novas. A nossa parceria ainda não produziu outros desdobramentos.

AB – Você diz que a cada repetição seus corpos se tornam mais “conhecidos”. Em que medida isso também poderia funcionar “contra” o trabalho?

AR – O fato da intimidade entre os corpos aumentar, a meu ver, só contribui neste trabalho. Mas existe um mistério em torno da repetição; acho que todos que trabalham com dança já passaram por isso. Às vezes ficamos um tempo sem ensaiar o trabalho, e de primeira ele sai maravilhoso. Outras vezes precisamos repetir exaustivamente para que esta sintonia apareça. Porque essa sintonia se dá também em outros níveis de conexão, mais sutis, que estão fora do nosso controle.

AB – Como aconteceu o encontro com os bailarinos de “Cornaca”? O que os leva (você, Juliana Medella e eles) a assinar como Cia. R.E.C. (Reação em Cadeia)?

AR – Tudo começou há uns cinco anos, quando a Juliana Medella foi convidada pelo Instituto PróSaber a dar aulas de dança contemporânea para uma turma de jovens. Depois, a convite da Juliana, eu entrei no projeto para dar aulas de videodança. Em 2009, nos desvinculamos da ONG e nos tornamos um grupo independente – R.E.C. – e criamos o trabalho “Cornaca”.

AB – Como vocês se organizam internamente enquanto companhia? Como lidam com as possíveis hierarquias: de quem cria, executa, assina? Como dialogam as diferentes formações, expressões e genealogias: a dança de rua e a dança acadêmica, a Zona Sul e o subúrbio, a afro-descendência e a euro-descendência? Que estranhamentos tensões e fertilidades emergem?

AR – No caso da criação do trabalho “Cornaca”, eu e a Juliana fazíamos proposições de improvisos e os bailarinos criavam a movimentação. Depois nós íamos limpando as cenas, selecionando, etc. As decisões sobre a maneira de funcionar do grupo (como quantidade de ensaios, as apresentações que fazemos) têm sido tomadas coletivamente. As diferentes formações contribuem para que o nosso encontro seja bem criativo; inclusive, um dos nossos desejos para o próximo trabalho é justamente se aprofundar nas qualidades de movimento e interesses específicos de cada um, uma vez que o “Cornaca” foi um processo construído muito em cima do grupo, isto é, do que podemos fazer juntos. Acredito que qualquer diferença sempre tem a somar, fazer com que a gente conheça novas pessoas, novos estilos de dança, novos lugares.

AB – O que o encontro com cada contexto, com Fernando Klipel e com os bailarinos da Cia. R.E.C., promove? Como a sua dança contemporânea se constrói a partir desses encaixes, parcerias?

AR – Os dois encontros são parcerias muito importantes pra mim, onde eu me desenvolvo e experimento possibilidades criativas. São uma grande fonte de aprendizagem. No encontro com o Fernando, a criação fluiu de uma forma muito leve. Nós tivemos um entendimento corporal imediato e a linguagem do trabalho foi se desenvolvendo espontaneamente. Foi e ainda é um encontro onde sigo me desenvolvendo como intérprete, e juntos vamos descobrindo novas maneiras de estar em cena. Com os bailarinos do R.E.C. exercito constantemente o meu olhar de fora, de como perceber e instigar em cada um as suas possibilidades expressivas e de se movimentar. Como estamos em constante transformação, e estamos atentos a isso, este trabalho não acaba nunca.

Para quem ainda não conferiu os espetáculos, aí vai uma dica: o programa duplo integrará a ocupação do Teatro Cacilda Becker (RJ) – Dança pra Cacilda – e será apresentado entre 18-20/mai e 25-27/mai.

Estreia amanhã (12/mai) a peça de Zeca Ligiéro, “O Evangelho segundo Dona Zefa”, com Marise Nogueira, os musicos Chiquinho Rota e Rachel Souza, e música de Edu Krieger. Abrindo as portas da programação do Núcleo de Estudos de Performances Afro-Ameríndias (NEPAA/UNIRIO), Dona Zefa, como já está apelidada a peça, estará em cartaz no Parque das Ruínas até 10/jun – de sexta a domingo, sempre às 19h.

No leque das atividades do NEPAA iniciou hoje o curso “Outro Teatro”, de Zeca Ligiero, sobre o impacto das tradições da Ásia, Africa e Américas sobre os grandes encenadores do século XX. Inclui leituras, discussão de textos e exibição de vídeos dos trabalhos desses encenadores. O curso é realizado nas sextas e sábados, de 10h às 13h, no NEPAA até 30/jun.

E no caminho ainda temos o Grupo Sotz’il, da Guatemala, em maio; e, finalizando, a presença de Richard Schechner em 20 e 30/jun, com palestra, oficinas e lançamento do livro “Performance e Antropologia”, organizado por Zeca Ligiero. Haverá também uma mostra de performance e dança, com trabalhos de Denise Zenicola, Juliana Manhães e Monica da Costa (colaboradora aqui no blog).

Para conferir a programação completa, saber mais sobre o NEPAA e acompanhar as atividades até junho, clique aqui para acessar o folder deste primeiro semestre. Toda primeira sexta-feira do mês temos um encontro aberto, às 18h, com performances e/ou exibição de vídeos, quitutes e bons bate-papos.

Aproveitem!

Abraços, bom fim de semana e não percam a oportunidade de conhecer Dona Zefa!!!

Esta é uma semana concorrida para quem estiver no Rio de Janeiro! Esther Weitzman e sua companhia estreiam O Tempo do Meio, enquanto Denise Stutz e Teatro Xirê reapresentam espetáculos – Esther Williams Não Quer Mais Nadar e Justo Uma Imagem, respectivamente.

[Peter Mark, Mônnica Emilio e Vandré Vitorino em O Tempo do Meio / crédito: Renato Mangolin]

O Tempo do Meio é um espetáculo de comemoração dos 13 anos da Esther Weitzman Companhia de Dança. Em cena, os bailarinos Mônnica Emilio, Frederico Paredes, Alexandre Bhering, Peter Mark e Vandré Vitorino interpretam as implicações, desdobramentos e conflitos da relação humana com o tempo. Com estreia amanhã (10/mai), as apresentações seguem até 3/jun, no Espaço SESC (Mezanino).

Para quem está curioso, aqui embaixo tem um teaser do espetáculo:

Denise Stutz volta aos palcos com Justo Uma Imagem, espetáculo em parceria com Felipe Ribeiro, que propõe um diálogo entre dança e cinema. Segundo ela mesma postou em seu perfil no Facebook, “o projeto é uma releitura do trabalho que já foi solo, já foi duo, e agora tem o olhar e a direção do Felipe Ribeiro”.

O trabalho entrou em cartaz hoje (9/mai) e a temporada segue até o final do mês no Teatro Glaucio Gill, em Copacabana.

Aqui embaixo, compartilhamos um vídeo produzido pelo Festival Panorama, quando o espetáculo integrou a edição de 2009 numa versão preliminar:

Finalmente – nesta postagem bem grande! – ainda temos novas apresentações de Esther Williams Não Quer Mais Nadar, do Teatro Xirê. O espetáculo, um solo de Andrea Elias, estreou esse ano no Teatro Cacilda Becker, e agora ganha uma temporada no SESC Tijuca. Ao utilizar-se da atriz-nadadora como metáfora, o trabalho apresenta um híbrido de teatro, dança e performance.

E para terminar, compartilhamos alguns trechos do espetáculo, cuja temporada começa amanhã (10/mai) e segue até o dia 20:

Será que a gente se esbarra em algumas das apresentações?!

Inté!!!

Maio começa daqui a pouco e já com boas promessas. A UNIRIO e o Grupo Artes do Movimento organizam o I Simpósio Internacional Artes do Movimento, um encontro entre Vera Mantero e André Lepecki, de 21 a 23/mai. O evento acontecerá no Centro de Letras e Artes da UNIRIO e incluirá uma  mesa-redonda com os dois artistas (mediada por Charles Feitosa), exibição de documentários, além de uma oficina com Vera Mantero (cujas inscrições podem ser feitas através do e-mail simposio.am@hotmail.com até 16/mai). Clique aqui para acessar a ficha de inscrição para a oficina.

E no eixo Nordeste, o Seminário Interseções abre inscrições até 31/mai para envio de propostas de comunicações orais, trabalhos teórico-práticos e trabalhos artísticos para a edição deste ano, a ser realizada de 19 a 22/set na UFPE. O tema da edição é Corpo e Memória. As inscrições e solicitações de normas para envios dos trabalhos podem ser realizadas através do e-mail secretaria.intersecoes@associacaoreviva.org.br.

Bom feriado a todas e todos!

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